Clamor internacional pela repressão dos protestos no Irã

A ONU expressou preocupação nesta terça-feira (20) com a violência da repressão das autoridades iranianas aos protestos pela morte de Mahsa Amini, uma jovem presa pela polícia da moral.

"A Alta Comissária Interina das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Nada Al Nashif, expressou hoje (terça-feira) sua preocupação com a morte de Mahsa Amini durante sua detenção (presa pela polícia de moral) e com a reação violenta das forças de segurança iranianas na prisão face às manifestações que se seguiram", diz um comunicado do órgão.

"A trágica morte de Mahsa Amini e as alegações de tortura e maus-tratos devem ser investigadas com rapidez, imparcialidade e eficácia por uma autoridade competente independente que garanta que sua família tenha acesso à justiça e à verdade", enfatizou Al Nashif.

De acordo com a porta-voz do Gabinete do Alto Comissariado, Ravina Shamdasani, "entre duas e cinco pessoas morreram, segundo alguns relatos" durante as manifestações de protesto contra a morte da jovem, que acontecem em várias cidades do país, incluindo a capital Teerã.

Ela ressaltou que a polícia "disparou munição real" e usou gás lacrimogêneo.

Al Nashif também observou que as leis de uso obrigatório do véu continuam sendo uma preocupação no Irã, onde aparecer em público sem o hijab pode ser punido com prisão.

Mahsa Amini, 22 anos, originária da região do Curdistão (noroeste), foi presa na semana passada enquanto visitava sua família em Teerã. Ela morreu na sexta-feira no hospital depois de passar três dias em coma.

Segundo as autoridades iranianas, a jovem morreu de causas naturais, mas segundo informações divulgadas pelo Escritório do Alto Comissariado, ela foi violentamente espancada na cabeça e contra um veículo da polícia da moral.

- Perseguição sistemática -

A morte de Amini gerou um clamor internacional e o próprio secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, pediu na segunda-feira "ao governo iraniano que encerre sua perseguição sistemática contra mulheres e permita protestos pacíficos".

O véu é obrigatório em público no Irã desde a Revolução Islâmica em 1979, que encerrou o governo de Sah.

Garantir que essas regras sejam seguidas é responsabilidade de uma unidade especial de polícia, conhecida como "polícia da moral", que tem o poder de prender mulheres que não respeitam o código de vestimenta, embora geralmente elas sejam libertadas com uma advertência depois.

Um parlamentar iraniano, em posição inusitada, criticou a "polícia da moral" cujas ações são controversas. "A Gasht e Ershad (patrulha moral) não alcança nenhum resultado, exceto causar danos ao país", disse o deputado Jalal Rashidi Koochi à agência de notícias ISNA.

"As pessoas que são conduzidas por esta unidade para essas 'sessões de explicação' recuperam a consciência e se arrependem quando saem?", pergunta o deputado.

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