ONU preocupada com indultos de Trump a militares

(Arquivo) A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, participa da abertura do conselho de direitos humanos das Nações Unidas, em Genebra.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, criticou nesta terça-feira a decisão do presidente americano Donald Trump de concender indulto a três militares acusados de crimes de guerra, algo que considerou um "sinal inquietante".

"Estamos muto preocupados com os indultos recentemente concedidos pelo presidente dos Estados Unidos a três militares americanos acusados de crimes de guerra", declarou o porta-voz da Alta Comissária, Rupert Colville.

O presidente republicano decidiu indultar o primeiro-tenente Clint Lorance, condenado por ter ordenado em 2012 um ataque a tiros contra três civis afegãos - dois deles morreram. O oficial já cumpriu seis dos 19 anos de prisão de sua pena

Trump também concedeu indulto a Matt Golsteyn, ex-membro das forças especiais do exército, acusado pelo assassinato em 2010 de um talibã suspeito de fabricar bombas.

Além disso, o presidente anulou a decisão que rebaixou a patente de Edward Gallagher, um soldado que integra outra unidade de elite, os "Navy Seals", acusado de matar a facadas um jovem do grupo extremista Estado Islâmico que havia sido detido e de ter executado outros civis.

Gallagher havia sido exonerado em julho da maioria das acusações, mas foi condenado por posar em uma foto com outros "Seals" ao lado do corpo do jovem jihadista.

Estes indultos "são contrários à letra e ao espírito do direito internacional que exigem que os responsáveis prestem contas", disse Colville.