ONU prolonga sua missão política na Líbia por três meses

Reunião de líbios em Trípoli pelo Ramadã, em 10 de abril de 2022 (AFP/Mahmud Turkia) (Mahmud Turkia)

O Conselho de Segurança da ONU adotou, nesta sexta-feira (29), por unanimidade uma resolução do Reino Unido para estender por outros três meses sua missão política na Líbia, após a rejeição da Rússia, que tem direito a veto, de prolongá-la por mais tempo enquanto um novo emissário não for designado para o país.

O texto prorroga "até 31 de julho de 2022 o mandato da Missão de Apoio das Nações Unidas na Líbia (Manul)" e "pede ao secretário-geral que designe rapidamente" um emissário que estará baseado na capital Trípoli. A resolução exige ao chefe da ONU um relatório mensal sobre sua aplicação até o final de julho.

Desde a demissão de seu emissário, o eslovaco Jan Kubis, em novembro, o Conselho de Segurança foi marcado pela oposição crescente da Rússia a qualquer acordo comum sobre a Líbia. O mandato anual da Manul foi renovado em setembro por quatro meses e se prolongou em janeiro por outros três meses sob pressão de Moscou.

Segundo diplomatas, o Reino Unido apresentou no início da negociação aos seus 14 sócios do Conselho de Segurança um projeto de texto para renovar o mandato de Manul por um ano.

No entanto, devido ao bloqueio russo, foi possível renovar apenas por mais três meses.

Países como França, Brasil e Gabão criticaram, nesta sexta-feira, a "intransigência" da Rússia diante dos outros 14 membros do Conselho que queriam uma extensão de um ano.

"É uma resolução vazia que não oferece nenhuma orientação sobre vários assuntos importantes e envia uma péssima mensagem ao povo líbio", disse o embaixador da missão dos Estados Unidos, Jeffrey DeLaurentis.

"Mais uma vez, a Rússia se isolou por não se juntar ao consenso dos outros 14 países-membros do Conselho", lamentou a embaixadora britânica, Barbara Woodward, atual presidente do órgão.

Em 19 de abril, em reunião a portas fechadas, o secretariado da ONU afirmou que a missão foi de longa duração para poder recrutar mais facilmente um emissário. Mas diplomatas afirmam que a Rússia pediu a nomeação o quanto antes do novo enviado antes de decidir sobre a duração da Manul, informaram fontes diplomáticas à AFP.

A resolução adotada nesta sexta-feira "pede a todas as partes que se abstenham de qualquer resolução suscetível de atrapalhar o processo político e o cessar-fogo de 23 de outubro de 2020 na Líbia".

A Líbia acaba de encerrar uma década de caos político e conflitos consecutivos devido à queda do governo de Muammar Khadafi em 2011, no caminho da Primavera Árabe.

O país continua sendo vítima de divisões internas. Um governo formado pelo ex-ministro do Interior, Fathi Bachagha, aprovado pelo Parlamento da parte oriental do país, compete com o Executivo de Trípoli, fruto dos acordos políticos monitorados pela ONU e presidido por Abdelhamid Dbeibah, que se recusa a ceder o poder.

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