ONU reduz missão na RD Congo e adverte Kabila

Por Dave Clark
(Arquivos) Membros brasileiros da Missão brasileira no Haiti, em Les Cayes, Haiti, no dia 15 de outubro de 2016

O Conselho de Segurança votou por unanimidade, nesta sexta-feira, renovar o mandato da missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (RDC), mas reduzindo seu efetivo.

O Conselho aprovou que a Monusco, a mais importante e cara de suas missões de manutenção da paz, se prolongue por mais um ano e pediu a revisão da estratégia antes de setembro.

Além disso, os 15 membros advertiram o presidente Joseph Kabila de que seu governo deve garantir o cumprimento de um acordo de divisão de poder com a oposição e permitir que ocorram eleições presidenciais e legislativas.

"Continuamos vivendo uma tensão e insegurança crescentes na República Democrática do Congo", disse o embaixador britânico, Matthew Rycroft, que preside o Conselho este mês. "E continuamos vendo uma relação clara entre o aumento dos conflitos locais e a política nacional".

A resolução adotada nesta sexta-feira reduz também a quantidade de militares permitidos na missão, de 19.815 para 16.215.

A força real já é inferior ao estabelecido, e na prática haverá uma redução de 500 capacetes azuis.

Os Estados Unidos, que no sábado assumem a presidência do Conselho de Segurança, pediram uma revisão da estratégia de todas as missões de paz da ONU.

Washington, que atualmente financia mais de 28% do orçamento das missões de paz, também quer cortar custos e melhorar a eficiência das missões.

Haley insistiu no desejo de reduzir o orçamento destinado aos capacetes azuis e de realizar uma profunda revisão de todas as missões.

Algumas delas, como as do Haiti, Libéria e Costa do Marfim, podem ser encerradas, enquanto a da RDC é analisada de perto.

Haley disse que a atitude do governo de Kabila, que considera "corrupto", impossibilitou o trabalho da Monusco e prometeu que o presidente prestará contas.

"Seja com um embargo de armas ou com sanções, temos que fazer algo para ele saber que isto não está certo", declarou.

Em dezembro de 2016, Kabila assinou um acordo para dividir o poder com a oposição, enquanto preparam as eleições nacionais para este ano. Mas as conversas para aplicar o acordo parecem ter se rompido e a violência aumentou.

Na semana passada, 39 policiais morreram em uma emboscada de rebeldes na região central de Kasai.

Dois especialistas da ONU, um americano e uma sueca, morreram na mesma região.