ONU reduzirá contingente dos capacetes azuis na RD Congo

Por Dave Clark
(Arquivos) Membros brasileiros da Missão brasileira no Haiti, em Les Cayes, Haiti, no dia 15 de outubro de 2016

O Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovará nesta sexta-feira, por unanimidade, uma redução de 7% no contingente de militares e policiais em sua missão de paz na República Democrática do Congo (RDC).

O país da África Central se encontra mergulhado no caos político e na corrupção, e seu governo é pressionado a organizar eleições em meio a combates entre facções armadas.

A situação é tão preocupante que o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu há pouco tempo o envio de mais 300 policiais ao país, mas os estados-membros, principalmente o governo americano de Donald Trump, têm manifestado sua vontade de cortar as contribuições ao fundo das Nações Unidas para a manutenção da paz.

A embaixadora de Washington junto à ONU, Nikki Haley, informou que serão eliminados 3.600 postos dos atuais 19.815 autorizados, sendo que 3.100 não foram preenchidos.

Na prática, o corte será de 500 militares. O contingente policial permanecerá inalterado.

"É preciso considerar o lado político das missões de paz", disse Haley. "Estamos tentando levar ajuda a estas pessoas, mas o governo não permite. Enviar mais tropas não irá mudar esta situação".

A França advertiu que a redução poderá comprometer o pequeno progresso no sentido de estabilizar o país africano, mas o embaixador francês na ONU se disse de acordo com o projeto de resolução.

Na segunda-feira, os corpos de dois especialistas das Nações Unidas desaparecidos em 12 de março no centro da RDC foram encontrados.

Os especialistas, o americano Michael Sharp e a sueca Zahida Catalan, foram sequestrados junto com seus quatro acompanhantes congoleses em Kasai Central, reduto dos milicianos de Kamwina Nsapu, líder tradicional que se rebelou contra o governo de Kinshasa antes ser morto durante uma operação militar, em agosto de 2016.

Na sexta-feira, 39 policiais congoleses foram mortos em uma "emboscada" dos milicianos de Kamwina Nsapu em Kamuesha, na região de Tshikapa, segundo as autoridades locais.

A violência entre as forças de segurança e milicianos de Nsapu começaram em Kananga, a capital de Kasai Central, em setembro de 2016, antes de se espalhar para as províncias vizinhas de Kasai Oriental, Kasai e Lomani, deixando pelo menos 400 mortos.