Onyx critica sistema eleitoral, nega golpismo de Bolsonaro e defende privatização da Petrobras

PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Pré-candidato do PL ao Governo do Rio Grande do Sul, Onyx Lorenzoni faz eco às críticas do presidente Jair Bolsonaro (PL) ao sistema eleitoral brasileiro, em que enxerga problemas de transparência, e defende a privatização e uma CPI para investigar a Petrobras.

Questionado sobre o desempenho do governo federal na pandemia, chamou a imprensa de negacionista.

As declarações foram feitas nesta segunda-feira (20) durante a sabatina Folha de S.Paulo/UOL com pré-candidatos ao Governo do RS.

Segundo Onyx, o sistema eleitoral "tem problemas de atender os princípios de transparência", porque, nas palavras dele, o "TSE [Tribunal Superior Eleitoral] sequestrou e transformou a apuração em secreta".

Na visão do ex-ministro, os ataques de Bolsonaro não significam uma ameaça de não aceitar o resultado das eleições de 2022.

Diante de uma declaração do presidente de que "vamos ter problemas no ano que vem" caso não fossem oferecidas alternativas de auditoria após a rejeição ao voto impresso no Congresso, Onyx disse que a fala não é recente e que foi retirada do contexto:

"Era um debate nacional com a Câmara dos Deputados que falava sobre a possibilidade de se ter a auditoria dos votos: o voto impresso, que é um pedido da sociedade brasileira."

"Era nesse contexto que o presidente estava mais uma vez alertando. O presidente apenas chama a sociedade para pensar sobre o fato", disse Onyx.

Para o ex-ministro, não há risco de golpe como reação ao resultado das urnas: "Não será nenhum golpe. Isso está fora de qualquer fundamento. Essa coisa de golpe só está na cabeça de jornalista."

Onyx defendeu a privatização e uma nova CPI da Petrobras, embora não veja mais na imprensa os erros cometidos em governos passados.

Antes e durante a Operação Lava Jato, a Petrobras foi tema de três comissões de inquérito em governos recentes. No Senado, em 2009, outra mista em 2014 e outra na Câmara em 2015.

"Toda vez que a Petrobras tem problemas, ela é pública, e o Brasil tem que sustentar ela. Toda vez que ela lucra, ela é privada e racha o dinheiro entre seus acionistas. É importante a CPI agora porque ela vai trazer luz. Para a gente entender o que está acontecendo."

Conforme Onyx, a presença no governo Bolsonaro do mesmo centrão que cometeu atos de corrupção na Petrobras não significa as mesmas práticas dos governos passados.

"São práticas, sistemas, absolutamente diferentes. O método usado pelo Fernando Henrique era do aparelhamento do governo. E o método usado no governo do PT era o aparelhamento com corrupção."

Natural de Porto Alegre e formado em medicina veterinária, Onyx tem 67 anos. Foi deputado estadual por dois mandatos e deputado federal por cinco mandatos consecutivos. Por duas vezes, em 2004 e 2008, se candidatou a prefeito de Porto Alegre pelo DEM, sem sucesso.

Em 2018, embora o DEM estivesse na coligação de Geraldo Alckmin (PSB, então no PSDB), Onyx anunciou apoio a Bolsonaro e coordenou a campanha do então candidato do PSL.

Após a eleição de Bolsonaro, foi ministro extraordinário da transição de governos. Quando o presidente assumiu, foi nomeado ministro-chefe da Casa Civil.

Após deixar a Casa Civil, foi ministro da Cidadania, da Secretaria-Geral da Presidência e ministro do Trabalho e Previdência.

No comando da pasta, assinou uma portaria proibindo empresas de exigir a vacinação para a Covid dos seus funcionários durante a pandemia. Questionado sobre a medida, Onyx disse estava "defendendo a liberdade das pessoas" e evitando "demissões em massa".

Para o ex-ministro, não houve negacionismo do governo, mas sim da imprensa. Para Onyx, seria negacionismo não testar medicamentos sem comprovação científica.

"A medicina do mundo todo avança muito mais por experimentação do que por comprovação. Então quando você nega que a experimentação e a liberdade do médico na busca de outras alternativas ela é importante e vocês [imprensa] negaram isso, vocês são negacionistas", declara.

O pré-candidato comentou o retorno de Eduardo Leite (PSDB) para a disputa pelo Governo do RS. Ele alfineta a promessa de Leite em não concorrer à reeleição.

"É mais um [candidato], só. Eu nunca olhei para os lados. Todos os grandes partidos terão candidatos a governador. E o PSDB, por óbvio. Está governando o estado. Minha preocupação é oferecer ao Rio Grande do Sul um caminho em que a verdade seja um valor."

No RS, Onyx divide a preferência do voto bolsonarista com Luis Carlos Heinze (PP). Sua chapa conta com o vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos) como candidato a senador.

A vaga de vice-governador na chapa está em aberto, e Onyx tenta usá-la para atrair a União Brasil à coligação. O partido surgiu da união entre PSL e DEM, ex-partido de Onyx. A legenda também conversa com Leite.

Embora afirme que vá honrar o acordo com o governo federal, Onyx é mais um pré-candidato gaúcho a criticar a adesão do atual governo ao regime de recuperação fiscal.

Além da parcela da receita para efetuar os pagamentos a partir de 2023, Onyx critica a parte do acordo que impede o estado de conceder incentivos fiscais, já em curso. Como exemplo, cita um projeto de lei para incentivar o turismo na região dos Sete Povos das Missões.

"Pois o atual governador, Ranolfo [Vieira Júnior], do PSDB, vetou o projeto com a seguinte justificativa: o programa de recuperação fiscal, ao qual o Rio Grande do Sul aderiu e que está ao ponto de ser homologado, proíbe", diz o pré-candidato.

Onyx, todavia, não responsabiliza Bolsonaro pelo regime proposto pelo seu Ministério da Economia: "Ele é um homologador. Mas desde quando se cometem erros na burocracia estatal brasileira?"

Em fevereiro, Onyx deixou a Esplanada e retornou à Câmara para concorrer ao Governo do RS. Assim como Bolsonaro, se filiou ao PL ao final de novembro de 2021.

O pré-candidato do PL foi o sexto pré-candidato ao Governo do RS entrevistado da série de sabatinas promovida pela Folha de S.Paulo e pelo UOL. Antes dele, Edegar Pretto (PT), Vieira da Cunha (PDT), Luis Carlos Heinze (PP), Beto Albuquerque (PSB) e Gabriel Souza (MDB) foram entrevistados.

Nesta segunda, às 16h, a série se encerra com a sabatina do ex-governador Eduardo Leite (PSDB).

A sabatina foi conduzida pelo colunista do UOL Kennedy Alencar e pelos jornalistas Tales Faria, do UOL, e Alexa Salomão, da Folha de S.Paulo.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos