Opas alerta para aumento de vírus respiratórios nas Américas, além da covid-19

Os casos de covid-19 nas Américas aumentaram 10,4% na última semana em relação à anterior, mas outras infecções respiratórias também registram aumento na região, alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta quarta-feira (1º).

"Os países devem ampliar a vigilância para monitorar outros vírus respiratórios, não só a covid-19", disse em coletiva de imprensa a diretora da Opas, Carissa Etienne.

Na semana passada em todo o continente americano foram registrados 1.087.390 casos e 4.155 mortes por covid-19, o que representa um aumento de 10,4% no número de casos e um incremento de 14% nas mortes.

A América do Sul registrou o maior aumento de casos (+43,1%) e América Central a maior alta de mortes (+21,3%).

No entanto, outros vírus respiratórios, como a influenza e o vírus sincicial respiratório (VRS) em crianças, também preocupam a Opas, escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Etienne destacou que desde o surgimento do coronavírus que causa a covid-19 em 2020, as infecções por influenza foram "excepcionalmente baixas", mas em 2022 aumentou a circulação do vírus da gripe "e não só durante a temporada tradicional de gripe".

México e Peru tiveram um maior número de casos de influenza que o esperado e Argentina, Chile e Uruguai informaram mais hospitalizações que o normal devido à influenza.

Chile, Paraguai, Brasil, Equador e República Dominicana também registram picos repentinos do vírus VRS em crianças pequenas, que em alguns casos precisam de hospitalização.

"Muitos lugares enfrentam a dupla ameaça de um possível aumento da influenza junto com um aumento nos casos de covid-19, o que colocará os trabalhadores da saúde, os idosos e as mulheres grávidas em um risco extra", disse Etienne.

"Alguns países enfrentam uma ameaça tripla, com a adição de uma onda de VRS em crianças", afirmou.

Etienne enfatizou que as mesmas medidas de saúde pública para se proteger da covid-19 funcionam para prevenir a gripe e pediu vacinação contra os dois vírus.

- Varíola dos macacos e hepatite infantil aguda -

A rara ocorrência de casos de varíola de macacos, uma doença relacionada à varíola que matou milhões de pessoas antes de ser erradicada em 1980, "merece atenção", disse Etienne.

A OMS disse nesta quarta-feira que, desde 7 de maio, mais de 550 casos foram confirmados em 30 países fora das nações africanas, onde a doença é endêmica.

"Pelo que sabemos sobre esse vírus e sua transmissão, o surto deve ser contido", disse Etienne. “No entanto, ações rápidas devem ser tomadas antes que o vírus se instale em áreas não endêmicas".

A Opas apoia os países na vigilância, testes laboratoriais e investigação de casos. Também avalia o uso e a disponibilidade de vacinas.

"O risco para o público em geral permanece baixo neste momento, mas devemos estar vigilantes", enfatizou Etienne.

Marcos Espinal, vice-diretor interino da Opas, destacou que, enquanto a covid-19 é transmitida pelo ar, a varíola se espalha por contato direto. Além disso, sublinhou que a taxa de letalidade é muito inferior à da covid-19.

"Inclusive vacinações em massa não são recomendadas", completou.

Até agora, a maioria dos casos foi relatada entre homens que fazem sexo com homens, embora, segundo especialistas, não haja evidências de que seja sexualmente transmissível.

As vacinas contra a varíola também foram consideradas cerca de 85% eficazes na prevenção da varíola dos macacos, mas há uma escassez.

Por outro lado, inflamações hepáticas infantis graves continuam a ser relatadas no mundo desde que a OMS foi informada pela primeira vez em 5 de abril de casos na Escócia.

Até 26 de maio, a OMS havia registrado 246 casos prováveis de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças nas Américas, a grande maioria nos Estados Unidos (216), mas também no Canadá (10), México (10), Argentina ( 5 ) e Panamá (5).

"Continuamos com as investigações para determinar a causa", disse Espinal.

Entre as hipóteses de trabalho está a ligação entre o coronavírus e o adenovírus.

Espinal descartou hipóteses relacionadas aos efeitos colaterais das vacinas anticovid porque a maioria das crianças afetadas não recebeu essas imunizações.

A OMS disse que avalia o risco global desta doença como "moderado".

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