OPAS destaca situação "preocupante" da covid-19 na América do Sul

Alina DIESTE
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Paciente com covid-19 segura rosário em hospital de Belém, Pará, em 4 de abril de 2021

A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) destacou nesta quarta-feira o "preocupante" aumento das infecções pela covid-19 na América do Sul e alertou para o risco de "epidemias massivas" em países que não cumpram integralmente as medidas para conter a propagação.

"As infecções por covid-19 continuam aumentando nas Américas", disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne, em uma entrevista coletiva.

"Mas, em nenhum lugar, são tão preocupantes quanto na América do Sul, onde os casos estão aumentando em quase todos os países", ressaltou.

Na última semana, Brasil e Argentina estiveram entre os 10 países com maior número de novas infecções no mundo, destacou.

Zonas da Bolívia e Colômbia viram o número de contágios duplicar, e os países do Cone Sul tiveram uma aceleração dos casos "com transmissão comunitária ininterrupta", afirmou. No Peru e no Equador, as UTIs estão chegando a sua capacidade máxima.

No resto das Américas, o continente mais afetado pela pandemia, a situação epidemiológica é "desigual", disse Etienne.

Na América do Norte, o Canadá registrou um aumento nos casos e hospitalizações, mas as taxas de infecção estão diminuindo nos Estados Unidos e no México. Ainda assim, os Estados Unidos, país do mundo com mais casos e mortes por covid-19 em números absolutos, ficou na última semana entre os dez com mais novas infecções.

Na América Central, os casos diminuíram em Belize, El Salvador e Panamá, mas aumentaram na Costa Rica, Honduras e Guatemala. E no Caribe, Jamaica e República Dominicana viram um declínio nas infecções, mas as infecções estão aumentando em ilhas menores, como Martinica e Bermudas.

- A P1 se propaga -

A região das Américas continua a ser duramente atingida pela covid-19 desde que o vírus foi relatado pela primeira vez na China em dezembro de 2019: na semana passada, 44% dos casos globais, bem como 48% das mortes em todo o mundo, foram relatados no continente americano, de acordo com a OPAS.

Os Estados Unidos, com mais de 556.000 mortes desde o primeiro caso relatado em janeiro de 2020, é o país do mundo com o maior número de mortes por covid-19.

Seguido pelo Brasil, com mais de 336.000 mortes. Na terça-feira, em meio a uma espiral ascendente de infecções, o gigante sul-americano registrou um recorde de mais de 4.100 mortes em 24 horas.

A crise da covid-19 no Brasil é uma ameaça para seus vizinhos e para o mundo em geral?

“Neste momento de pandemia, o risco de epidemias massivas nesta região ainda existe e existe em países que não são rigorosos o suficiente na implementação de medidas de saúde pública”, respondeu Sylvain Aldighieri, gerente de incidentes da OPAS.

“A situação no Brasil é preocupante em todo o país”, acrescentou, observando a preocupação da OPAS com os serviços de saúde sobrecarregados.

Aldighieri disse que a partir de 5 de abril, 20 países e territórios americanos relataram a variante P1 à OPAS, inicialmente detectada na cidade amazônica de Manaus no final de 2020 e considerada altamente contagiosa.

- "Fique em casa" -

Mais de 210 milhões de doses de vacinas anticovid foram aplicadas em 49 países e territórios das Américas (155 milhões nos Estados Unidos), segundo dados da OPAS.

Mas ainda está muito longe de 70% da população totalmente imunizada (com todas as doses necessárias), um nível que os cientistas estimam ser necessário para atingir a imunidade de rebanho.

Por isso, a OPAS insiste em continuar cumprindo as medidas recomendadas para deter a propagação do vírus: uso de máscaras, distanciamento físico, não aglomeração, higienização frequente das mãos.

"Diminuir a velocidade e interromper a transmissão exige uma ação decisiva por parte dos governos locais e nacionais e vigilância contínua de todos nós", enfatizou Etienne.

Diante do aumento das viagens "dentro e entre os países", Etienne reiterou a necessidade de cumprir medidas para interromper a transmissão do vírus e evitar o colapso dos sistemas de saúde.

"A diminuição das infecções começa por ficar em casa e fazer todo o possível para proteger a nós mesmos e aos outros de adoecer. E, contudo, ainda estamos vendo as populações da região aumentarem lenta e continuamente sua mobilidade", apontou.

"Se essas tendências continuarem, nossos sistemas de saúde terão problemas mais sérios", alertou.

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