Opas 'otimista' sobre o acesso da Venezuela às vacinas anticovid da Covax

·2 minuto de leitura
Agente de saúde prepara seringa com dose da vacina contra covid-19 desenvolvida pela empresa chinesa Sinopharm em posto de vacinação da escola Miguel Antonio Caro em Catia, Venezuela, no dia 8 de março de 2021

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) manifestou na terça-feira (23) seu "otimismo" quanto ao acesso da Venezuela às vacinas anticovid da aliança global Covax, instando o governo venezuelano, a oposição e a comunidade científica a continuar trabalhando juntos nesse sentido.

Ciro Ugarte, diretor do Departamento de Emergências de Saúde da Opas, destacou em coletiva de imprensa a "reaproximação" entre as partes, que permitiu dar início ao processo de liberação de recursos para aquisição e distribuição das doses.

A Opas informou no início de fevereiro que a Venezuela tinham reservadas entre 1,4 milhão e 2,4 milhões de doses de vacinas pela aliança Covax, um sistema promovido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para garantir a distribuição equitativa dos imunizantes.

Mas a Opas alertou que a Venezuela correria o risco de perder a reserva caso não pagasse um adiantamento de 18 milhões de dólares.

O governo venezuelano chefiado por Nicolás Maduro não tem acesso às reservas financeiras do país no exterior, cujo controle está nas mãos do líder oposicionista Juan Guaidó.

Na sexta-feira, a Assembleia Nacional presidida por Guaidó aprovou um acordo para "realizar todos os trâmites" com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos para destravar os fundos necessários: 18 milhões de dólares para vacinas e outros 12 milhões para infraestrutura que permite a distribuição.

"Este é um primeiro passo", afirmou Ugarte nesta terça-feira, embora tenha lembrado que para que as vacinas sejam distribuídas, a Venezuela terá que completar o pagamento com 100 milhões de dólares.

A campanha de vacinação anticovid na Venezuela avança com a imunização com a vacina russa Sputnik V e a chinesa Sinopharm.

Ugarte também reiterou que, por meio da Covax, a Venezuela receberá vacinas da empresa anglo-sueca AstraZeneca produzidas pela Coreia do Sul.

O governo de Maduro, que em 15 de março anunciou que a Venezuela não autorizaria a vacina AstraZeneca devido às "complicações" apresentadas, não se pronunciou publicamente sobre o andamento dos esforços para acessar Covax.

ad/ll/ap/bn