Opas pede prioridade de gestantes e lactantes na vacinação contra covid-19

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Gestante mostra a carteira de vacinação após receber uma dose da Pfizer-BioNTech contra covid-19 em um posto de vacinação de Bogotá, em 23 de julho de 2021 (AFP/Raul ARBOLEDA)

A vacinação de gestantes e lactantes contra a covid-19 deve ser uma prioridade nas Américas, solicitou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta quarta-feira (8), destacando as vantagens da imunização para proteger mulheres e bebês durante a pandemia.

A diretora da Opas, Carissa Etienne, considerou "extremamente importante" que as mulheres grávidas tenham acesso à vacina anticovid para protegerem a si e a seus bebês.

Ela destacou uma vantagem adicional: as mães que amamentam passam imunidade aos filhos. Os países "devem dar prioridade a mulheres grávidas e lactantes nas vacinas contra covid-19", disse ela em entrevista coletiva.

A Opas, que já alertou que a pandemia ameaça as conquistas de 20 anos na luta para reduzir a mortalidade materna nas Américas, advertiu novamente sobre o impacto da covid-19 nas mulheres grávidas.

“A maioria dos países de nossa região já relatou mais casos e mortes (pelo coronavírus) entre mulheres grávidas neste ano do que em todo o ano de 2020”, disse Etienne.

Ela destacou que o risco é especialmente alto no México, Argentina e Brasil, países que respondem pela metade de todas as mortes por covid-19 entre mulheres grávidas na região.

"No México e na Colômbia, a covid-19 se tornou a principal causa de morte materna em 2021", disse Etienne.

De acordo com dados da Opas, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 270.000 mulheres grávidas adoeceram com covid-19 nas Américas desde o início da pandemia em março de 2020.

Entre elas, mais de 2.600 (1% dos infectados) morreram do vírus.

- "Seguras" e "fundamentais" -

As mulheres grávidas são mais vulneráveis a infecções respiratórias como a causada pelo coronavírus devido a alterações no sistema imunológico durante a gravidez.

E está comprovado que, se infectadas com covid-19, correm maior risco de desenvolver sintomas graves da doença e necessitarão de ventilação e cuidados intensivos com mais frequência. Elas também podem dar à luz bebês prematuros.

Usar máscaras, manter distância social, limitar o contato com pessoas fora de casa e evitar reuniões em espaços fechados são medidas de saúde pública que ajudam a prevenir infecções por covid-19.

Mas Etienne colocou uma forte ênfase em adicionar vacinação a estas medidas.

“Deixe-me ser clara: a Opas recomenda que todas as mulheres grávidas após o primeiro trimestre, assim como aquelas que estão amamentando, recebam a vacina contra a covid-19”, enfatizou.

Argentina, Chile, México e Uruguai são alguns dos países que incluíram gestantes em seus grupos prioritários de vacinação contra o coronavírus.

Mas, de acordo com a Opas, menos da metade dos países da América Latina e do Caribe implementaram diretrizes para vacinar essa população.

Etienne enfatizou que as vacinas anticovid aprovadas pela OMS “são seguras para administrar durante a gravidez e são uma ferramenta fundamental para proteger as mulheres grávidas durante a pandemia”.

No México, onde as mulheres grávidas há muito são consideradas um grupo prioritário, "nenhuma mulher vacinada morreu de covid-19 durante a gravidez", destacou.

- Luz verde da OMS -

A OMS aprovou até agora seis vacinas: Moderna, Pfizer/BioNTech, Johnson & Johnson, AstraZeneca, Sinopharm e Sinovac.

O vice-diretor da Opas, Jarbas Barbosa, disse nesta quarta-feira que o processo de autorização da OMS para a vacina russa Sputnik está suspenso desde junho.

"Isso porque uma fábrica de produção da Sputnik na Rússia não atendia às condições necessárias para boas práticas de fabricação", explicou.

“Até o momento não temos uma data de quando esse processo será retomado”, acrescentou.

Nenhuma vacina que não tenha sido aprovada pela OMS pode ser endossada pela Opas ou incluída na carteira do mecanismo global de distribuição da Covax.

No entanto, Barbosa especificou que cada país é soberano na decisão de certificar e aplicar qualquer vacina.

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