Opas relata mais de 600 mil casos de covid-19 entre povos indígenas nas Américas

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(Arquivo) Homem do povo indígena Guarani recebe vacina CoronaVac em Maricá, no Rio de Janeiro, em 20 de janeiro de 2021

Mais de 600 mil indígenas foram infectados e cerca de 15 mil morreram por covid-19 nas Américas desde o início da pandemia, disse nesta quarta-feira (4) a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que instou os países a priorizarem o atendimento a essas comunidades.

“A pandemia exacerbou as desigualdades em nossa região. E isso é especialmente verdadeiro para nossos povos indígenas”, disse a diretora da Opas, Carissa Etienne.

“Devemos garantir que nossas respostas e nossas campanhas de vacinação anticovid não ampliem as iniquidades”, acrescentou ela em entrevista coletiva.

Para os 62 milhões de indígenas que vivem nas Américas, o risco de contrair covid-19 e morrer por complicações derivadas da doença é alto, segundo a Opas, o escritório regional da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Entre janeiro de 2020 e julho de 2021, a Opas recebeu notificação de 617.326 infecções e 14.646 mortes por covid-19 em povos indígenas em 18 países americanos.

Os Estados Unidos, com 4.860 óbitos de indígenas entre 259.884 casos registrados, é a nação mais afetada pela pandemia.

Em número de casos, vêm em seguida Chile (65.884), Peru (64.923), Colômbia (63.250), Brasil (51.334), Canadá (32.597), México (21.046), Guatemala (18.924) e Bolívia (18.700) .

Depois dos Estados Unidos, com a maior quantidade de mortes de indígenas, estão o México (3.253), a Colômbia (1.813) e o Chile (1.170).

As sociedades comunais onde o distanciamento físico é difícil, a pobreza, as barreiras linguísticas e a falta de redes de apoio social e financeiro tornam as comunidades indígenas "mais vulneráveis" ao contágio e mais propensas a não ter acesso aos serviços de saúde, de acordo com a Opas.

"Provavelmente há muitos mais infectados, mas podemos não saber porque eles têm tido dificuldades para receber o cuidado contra a covid-19 que merecem", disse Etienne.

Por isso, enfatizou, os países devem envolver as populações indígenas na resposta ao coronavírus, traçar políticas alinhadas aos seus costumes e garantir que trabalhadores dos serviços de saúde conheçam as línguas dos indígenas e respeitem a medicina ancestral que praticam.

Etienne aplaudiu o fato de 17 países nas Américas terem incluído os povos indígenas como um grupo prioritário para a imunização.

“Mais de 134 mil indígenas estão totalmente vacinados na Guatemala e mais de 312 mil completaram seus esquemas de vacinação no Brasil”, afirmou ela, urgindo os governos a produzir melhores estatísticas sobre a população indígena.

"Poucos países coletam dados sobre o impacto da pandemia em todos os grupos étnicos, o que deixa os ministérios da saúde cegos para tendências importantes e valiosas de como o vírus está afetando nossas comunidades indígenas", explicou ela, que elogiou os "dados sólidos" do Brasil e da Colômbia.

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