Open Delivery: bares e restaurantes planejam marketplaces de entregas e pagamento com Pix

Stephanie Tondo
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Foto: Ana Branco / Agência O Globo
Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Os aplicativos de entregas ganharam força na pandemia e se tornaram fundamentais para o setor de bares e restaurantes. No entanto, as taxas altas cobradas por essas plataformas torna muitas vezes as operações desvantajosas para os estabelecimentos. Para resolver esse problema e estimular a concorrência entre os aplicativos, o segmento tem estudado a implementação do open delivery, que permitirá inclusive a inclusão dos serviços de entregas de alimentos em marketplaces e o uso do Pix como forma de pagamento.

A ideia foi inspirada no open banking, um novo sistema que está sendo implementado pelo Banco Central que permitirá o compartilhamento dos produtos e serviços oferecidos pelas instituições financeiras, e de dados cadastrais dos clientes.

Segundo Pedro Hermeto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Rio, o objetivo do open delivery é padronizar as regras exigidas pelos aplicativos de entregas e uniformizar os padrões de programação dos aplicativos, fazendo com que seja mais fácil para os estabelecimentos estar inseridos em mais plataformas.

— Hoje em dia os restaurantes trabalham com uma forma de entrega ou duas, porque não é fácil se adaptar às regras de cada aplicativo. A ideia com isso é que aumente a concorrência entre as plataformas, que hoje cobram até 27% do valor da entrega para os restaurantes, quando o entregador é do aplicativo — explica.

Além de aumentar a competição dessas empresas pelos restaurantes, reduzindo a taxa cobrada, o open banking permitiria a criação de marketplaces de entregas de alimentos.

Hermeto afirma que redes de varejo já demonstraram interesse nessa possibilidade, com a intenção de aumentar a base de clientes. Funcionaria assim: ao acessar um marketplace, como Magazine Luiza, por exemplo, o consumidor poderia visualizar diferentes plataformas de delivery, como iFood, Rappi e Uber Eats, e escolher aquela em que o seu pedido tenha maior cupom de desconto ou menor taxa de entrega.

— As vendas nessas redes hoje são periódicas, ninguém compra um eletrodoméstico novo todo mês. Mas comida é recorrente, as pessoas podem pedir comida todos os dias. E isso garante o tráfego de clientes que essas redes procuram.

Outra possibilidade que vem sendo estudada pela Abrasel é a inclusão do Pix como forma de pagamento pelos aplicativos de delivery. Se a medida for implementada, o consumidor poderá selecionar o Pix na hora de concluir o pedido fazendo uma espécie de transferência bancária. Esse meio de pagamento eletrônico permite transferências a qualquer dia da semana, em qualquer horário.

Entre as empresas interessadas em investir no projeto está a Ambev. Em nota, a empresa informou que "continua preocupada em ajudar o ecossistema de bares e restaurantes, que vem sendo muito impactado desde o início da pandemia. A parceria com a Abrasel é mais uma das iniciativas do grupo para ajudar o setor. Queremos colaborar com o projeto através da startup Get In, que faz parte do ecossistema da Z-Tech, hub de tecnologia da Ambev focado em desenvolver soluções para pequenos e médios negócios."