Operação "carros avariados" em Yangon para bloquear os militares

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Há dois dias as ruas de Yangon estão repletas de carros particulares, táxis e ônibus, que permanecem parados e criam a aparência de um engarrafamento gigante.

Os proprietários deixam seus automóveis nas ruas, com um suposto problema, para impedir que os tanques do Exército entrem no centro da cidade, onde acontecem as manifestações a favor da democracia.

Desde que o Exército derrubou o governo civil no dia 1 de fevereiro, todo o país, das grandes cidades até os vilarejos mais modestos, se rebelaram contra o retorno da junta militar, com manifestações que reúnem centenas de milhares de pessoas.

Na manhã desta quinta-feira, no horário do rush, as ruas de Yangon, a capital econômica do país, se transformaram literalmente em um estacionamento em apoio ao movimento de desobediência civil, que inclui muitos funcionários públicos em greve.

"Participamos nesta campanha de veículos avariados porque queremos apoiar (os funcionários) e também porque estamos orgulhosos deles", declarou à AFP Phoe Thar, um caminhoneiro.

"Protestamos porque somos cidadãos respeitosos e queremos nos livrar da ditadura militar", completou.

- Detenções -

As caravanas registradas em todo o país incluem funcionários de bancos, ferroviários, controladores aéreos, professores e profissionais da saúde.

De acordo com um grupo de apoio aos presos políticos, mais de 490 pessoas foram detidas desde o golpe de Estado. Muitos são funcionários públicos que se recusam a trabalhar para um regime militar.

Nesta quinta-feira, dezenas de policiais observaram, impotentes, quando os motoristas bloquearam uma das principais vias da cidade.

"Nos reunimos em cinco táxis, um afirmou que o carro estava com problemas e bloqueou a rua (...) Bloqueamos durante 30 minutos", afirmou à AFP um taxista de 30 anos.

A operação teve grande apoio. "Tive que caminhar 40 minutos por causa dos carros parados na volta para casa ontem, antes de chegar ao ônibus", disse a vendedora ambulante Than Than. Ela contou que os manifestantes pediram desculpas. "Eu disse que tudo bem, não fizeram nada errado".

Em outros pontos do país, a operação "carros avariados" não foi tão apreciada. Imagens compartilhadas na internet mostraram um carro com um vidro quebrado e um SUV com o para-brisa quebrado.

Os dois veículos estavam estacionados perto de um mosteiro que abriga monges pró-militares que, por sua vez, organizaram manifestações para celebrar o golpe de Estado.

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