Operação contra Jerominho, Natalino e Carminha surgiu após Coaf mostrar movimentação de R$1 mi dos investigados

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Foto: Marcelo Theobald 17-11-2008 / Agência O Globo
Foto: Marcelo Theobald 17-11-2008 / Agência O Globo

A Operação Sólon da Polícia Federal, que cumpriu 12 mandados de busca e apreensão em residências, comitês de campanhas e empresas ligadas à prática de lavagem de dinheiro conexos a crimes eleitorais na Zona Oeste do Rio, teve como origem um relatórios de inteligência financeira (Rifs) do Coaf, que identificou movimentação atípica de R$1 milhão nas contas dos investigados. Entre os dez alvos estão os irmãos José Guimarães Natalino e Jerônimo Guimarães Filho, apontados judicialmente como fundadores da Liga da Justiça, uma das maiores milícias do estado. Candidata a vice-prefeita pelo Partido da Mulher Brasileira (PMB), Jéssica Natalino, filha de José Guimarães, também é investigada, assim como a ex-vereadora Carminha Jerominho, filha de Jerônimo Guimarães e candidata à Câmara dos Vereadores pela mesma sigla. Jéssica integra a chapa liderada pela candidata a prefeita Suêd Haidar.

A PF informou, após a operação, que apreendeu celulares, materiais de campanha e pacotes de dinheiro, num total de cerca de R$ 350 mil. Na casa de um dos alvos, de acordo com a corporação, havia R$ 180 mil. Na residência de outro investigado, R$ 140 mil. Houve ainda a apreensão de US$ 2,5 mil. Os mandados de busca e apreensão miravam pessoas físicas, um comitê de campanha e estabelecimentos comerciais, como uma drogaria e um restaurante — entre eles, o Bar Farofão Empório e Confeitaria e uma loja de conveniência em Campo Grande, na Zona Oeste. Os mandados foram expedidos pela 16ª Zona Eleitoral, especializada em crimes praticados por organização criminosa, lavagem de dinheiro e outros crimes eleitorais.

De acordo com a PF, esses recursos possivelmente seriam destinados para gastos de campanhas eleitorais. O superintendente regional da PF no Rio, Tácio Muzzi, afirmou que a investigação começou em junho deste ano e declarou que a corporação agiu de forma proativa para evitar currais eleitorais neste eleição. A PF sustenta que o grupo investigado tem ligações históricas com a milícia na Zona Oeste e o objetivo de retomar o poderio político na região por meio da candidatura de parentes.

O delegado João Garrido, da divisão regional de combate ao crime organizado da PF, afirmou que um dos investigados foi detido em flagrante pelos agentes ao ser encontrado com uma arma registrada em nome de outra pessoa e pequena quantidade de munição de fuzil em casa. Ele está sendo levado para a Superintendência da PF no Centro do Rio.