Operação de contraespionagem ucraniana em mosteiro milenar da Igreja Ortodoxa

Os Serviços Secretos da Ucrânia (SBU) realizaram esta terça-feira de manhã uma busca ao complexo Pechersk Lavra de Kiev, um mosteiro milenar que serve também de residência oficial a Onúfrio, o líder da Igreja Ortodoxa Ucraniana, que anteriormente estava ligada ao Patriarcado de Moscovo.

O mosteiro de século XI, localizado na zona sul da capital, é património Mundial da UNESCO e estava sob suspeita de manter ligações a agentes secretos russos a operar na Ucrânia através da rede de cavernas existente sob a estrutura do complexo.

As autoridades ucranianas explicaram as "medidas de contraespionagem" como parte do trabalho para "combater as atividades subversivas dos serviços de segurança russos".

A Ucrânia é um território sagrado para a Igreja Ortodoxa Russa por possuir alguns dos mosteiros mais importantes daquela corrente religiosa apesar de atualmente os dois ramos, russo e ucraniano, estarem de relações cortadas devido à invasão decretada em fevereiro pelo Kremlin e apoiada pelo patriarca Kirill, de Moscovo.

O atrito entre as igrejas ortodoxas russa e ucraniana já dura há alguns anos. Em 2018, levou a uma separação ortodoxa dentro da Ucrânia com uma parte a comprometer-se com o patriarca Bartolomeu, de Istambul, e outra a manter-se ligada ao Patriarcado de Moscovo.

Mas já este ano, em maio, também a Igreja Ortodoxa Ucraniana do Patriarcado de Moscovo (IOU-PM) cortou os laços com o patriarca da capital russa devido ao apoio de Kirill à invasão da Ucrânia decretada pelo Kremlin.

Ainda assim, Moscovo continua a entender ter jurisdição sobre a IOU-PM e o porta-voz do Kremlin reagiu às buscas realizadas esta manhã no complexo Pechersk Lavra.

"O lado ucraniano tem estado em guerra com a Igreja Ortodoxa há muito tempo. Acho que posso dizer que isto pode ser visto como mais uma das suas ações militares contra a Igreja Ortodoxa Russa", afirmou Dmitry Peskov.

A operação ucraniana de contraespionagem foi realizada por agentes do SBU em colaboração com a polícia e a guarda nacional para prevenir que a "Lavra" seja usada por agentes pró-russos para organizarem sabotagens, albergaram espiões ou armazenar armas para atividades contrárias à soberania ucraniana.

Durante as buscas, os fiéis puderam continuar a rezar no mosteiro após se identificarem e mostrarem o conteúdo das malas que carregavam aos agentes.