Operação da PF em sete estados é exemplo no combate ao tráfico

A operação Maritimum, deflagrada ontem pela Polícia Federal (PF) em sete estados das regiões Sudeste, Nordeste e Norte, mostra que é possível combater o crime organizado com investigação, inteligência, planejamento e cooperação — em vez de promover guerras sangrentas altamente custosas, tanto em perda de vidas quanto em desperdício de tempo, dinheiro e energia.

O objetivo da operação, que contou com o apoio de polícias estaduais, era desarticular uma quadrilha que atua no tráfico internacional de drogas usando portos brasileiros. Segundo as investigações, iniciadas no fim do ano passado, o bando atua no transporte e armazenamento da droga vinda de países produtores da América do Sul. Para tentar despistar, a carga era escondida em contêineres de outras mercadorias e embarcada para portos da Europa.

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Ao longo da investigação, foram apreendidas cerca de 8 toneladas de droga nos portos de Santos (SP), Salvador (BA), Natal (RN), Fortaleza (CE) e Barcarena (PA). Foram interceptados também carregamentos na Bélgica, na França e na Holanda. Um dos traficantes destinatários da droga foi preso recentemente na Hungria. A polícia cumpriu ontem 46 mandados de prisão e 90 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Bahia, Pernambuco, Ceará e Pará.

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De acordo com a PF, o dinheiro arrecadado pela quadrilha era lavado por meio de pessoas físicas e empresas, “criando uma rede estruturada de tráfico internacional de drogas por intermédio da exportação de mercadorias”. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 170 milhões que pertencem aos investigados.

Operações desse tipo são essenciais. É sabido que o Brasil está na rota do tráfico internacional. Drogas e armas circulam pelas principais estradas do país, portos e aeroportos. Raramente são interceptadas pelas autoridades. Chegam também às quadrilhas entrincheiradas nas favelas dos grandes centros. Não é segredo ainda que as poderosas facções criminosas de São Paulo e Rio de Janeiro atuam nesse comércio ilícito, estendendo sua área de atuação para os países vizinhos, como o Paraguai.

Embora necessárias, as frequentes operações contra o tráfico nas favelas não costumam produzir resultados práticos. Não reduzem a violência e, por vezes, resultam na morte de inocentes atingidos por balas perdidas. Polícias estaduais gastam parcelas significativas do orçamento em investidas que equivalem a enxugar gelo. A operação da PF aponta um caminho mais eficaz, porque atua para desarticular a rede criminosa e secar sua fonte de financiamento. Ela demonstra que investigação, inteligência e tecnologia costumam ser mais eficientes na luta contra o crime que saraivadas de tiros e bombas.

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