Operação da PF na Codevasf expõe corrupção no governo Bolsonaro

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Diante dos indícios de irregularidades na Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), controlada pelo Centrão, era questão de tempo até a Polícia Federal (PF) bater à porta da estatal, espécie de paraíso das verbas do orçamento secreto. Não deu outra. Os federais deflagaram uma operação na superintendência da empresa no Maranhão para apurar suspeitas de fraude em contratos com a Construservice. Na ação, que investiga ainda crimes de lavagem de dinheiro e associação criminosa, foi preso um empresário conhecido como “Imperador”, apontado como sócio oculto da empreiteira.

O roteiro da operação da PF revelou os mesmos detalhes sórdidos que outras investigações dos meandros por onde se perdem os escassos recursos públicos. Na residência de um suspeito, os policiais apreenderam mais de R$ 1 milhão em malas, caixas e num cofre. Foram recolhidos também artigos de luxo pertencentes aos acusados.

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As investigações detectaram falhas graves nas licitações para obras da Codevasf, como a criação de empresas de fachada que simulavam participar de concorrência com o único objetivo de favorecer a empreiteira principal do grupo.

A Construservice ganhou protagonismo no governo Jair Bolsonaro. Sem nunca ter participado de contratos com a União antes de 2019, passou a abocanhar fatias cada vez maiores do Orçamento. Em 2019, o Executivo empenhou para a empresa R$ 32 milhões, valor que caiu a R$ 16 milhões em 2020, mas subiu a R$ 92 milhões no ano passado. Estima-se que neste ano os números sejam ainda mais generosos. Os contratos firmados em seis estados chegam a quase R$ 400 milhões.

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Os caminhos percorridos por essas verbas são pouco transparentes. Como mostrou reportagem do GLOBO, a Construservice foi uma das empresas que mais receberam recursos das emendas do relator, que alimentam o orçamento secreto. Nos últimos dois anos, foram pelo menos R$ 58 milhões por intermédio desse mecanismo opaco, usado pelo governo para comprar apoio no Congresso.

O caso expõe como a Codevasf, criada em 1974 para apoiar projetos de irrigação no Vale do São Francisco, se transformou em instrumento de clientelismo e fisiologismo. Hoje está no foco da troca de favores entre o governo Bolsonaro e o Centrão. Pouco importam os benefícios que poderia proporcionar aos cidadãos, mas sim os interesses paroquiais de parlamentares que destinam verbas públicas segundo critérios eleitoreiros, e não técnicos.

O presidente Jair Bolsonaro já afirmou repetidas vezes que em seu governo não há corrupção. Nada mais falso. Não bastassem as negociatas no MEC, que levaram à queda do então ministro Milton Ribeiro, agora vêm à tona os desmandos na Codevasf. Louve-se a atitude da PF, que mostrou independência ao deflagrar a operação. É preciso investigar e punir quem desvia recursos públicos, não importando o calendário eleitoral ou os chefes de plantão. Bolsonaro tem de reescrever seu discurso, a cada dia mais indefensável.

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