Operação da Polícia Civil mira suspeitos que têm vida de luxo com dinheiro do tráfico, no Rio e em Santa Catarina

Rafael Nascimento de Souza
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RIO — Policiais do Departamento Geral de Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (DGCOR) da Polícia Civil do Rio, realizam, na manhã desta quarta-feira, a Operação Rainha de Copas, contra a lavagem de dinheiro da principal facção do tráfico de drogas no estado. Nos últimos três anos estima-se que a quadrilha movimentou aproximadamente R$ 15 milhões. Entre os alvos estão dois aliados do traficante Leonardo Barbosa da Silva, o Léo do Aço, assassinado em 2019. Os suspeitos levam uma vida de luxo com o dinheiro do crime.

Segundo as investigações, os criminosos usavam o dinheiro da venda de entorpecentes para comprar imóveis de alto padrão, veículos caros e lanchas. Ao todo, estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados do Rio (Barra da Tijuca, Recreio, Campo Grande, Vila da Penha e São Conrado, bairros da capital, e Mangaratiba, município da Região Metropolitana) e em Santa Catarina (Balneário Camboriú e Jurerê Internacional).

O ex-policial militar do Batalhão de Operações Especiais (Bope) Silvestre André da Silva Felizardo — condenado e preso por corrupção passiva e organização criminosa —, Carla Oliveira de Melo, suspeita de gerenciar o espólio de Léo do Aço, e Hanna de Oliveira, laranja do bando, são alguns dos alvos da ação desta quarta.

A investigação, que começou há aproximadamente oito meses, foi em decorrência de movimentações atípicas em contas dos suspeitos. Dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) foram usados na apuração.

A DGCOR identificou que Carla e outros supostos laranjas movimentaram, desde 2019, milhões. Segundo as investigações, o grupo abriu empresas de fachada para lavar dinheiro e montou uma rede para passar ao tráfico informações sigilosas da polícia.

— A operação de hoje é resultado dessa movimentação atípica das contas dos envolvidos. Eles não têm patrimônio suficiente para ter esse montante em conta — afirma o delegado Leonado Borges, titular do DGCOR.

A polícia também conseguiu o bloqueio das contas bancárias dos investigados, entre pessoas físicas e jurídicas, no valor total de R$ 7.374.681. Também estão sendo apreendidos na operação automóveis e lanchas.

Ostentação nas redes e vida de luxo

Segundo a polícia, os criminosos alvos da investigação ostentam em suas redes sociais uma vida de luxo, morando em mansões de condomínios de alto padrão, publicando fotos de lanchas, motos aquáticas, motocicletas importadas, carro conversível e viagens internacionais. Os suspeitos, de acordo com as investigações, abriram empresas de fachada. Os traficantes movimentaram aproximadamente R$ 15 milhões nos últimos anos em suas contas bancárias.

— A ostentação de qualquer integrante mostra que eles não têm capacidade para isso. Essa ação tem dupla finalidade: recolher provas e descapitalizar essa organização criminosa.

Na ação de hoje foram apreendidos documentos, celulares e computadores. O material será analisado para uma segunda fase. Os mandados foram expedidos pela Vara Especializada de Combate ao Crime Organizado do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.