Operação da polícia termina sem informações sobre o paradeiro dos três meninos de Belford Roxo

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A Polícia Civil não soube dizer se algum dos dezesseis presos na manhã desta sexta-feira, durante uma operação da corporação no Morro do Castelar, em Belford Roxo, teve participação no desaparecimento de três meninos há cerca de cinco meses naquela cidade. Os investigadores vão analisar se os detidos têm ligação com o caso. Segundo a Polícia, os detidos nesta ação torturaram um homem que, por deyerminação do tráfico, teria que assumir o crime. Ele foi expulso da favela junto com a família.

A investigação aponta que 12 criminosos participaram da agressão — que culminou na ação de hoje. Quatro dos supostos torturadores foram presos. O grupo também teria ligação com o que os agentes chamaram de “tribunal do tráfico”, que pune desafetos ou moradores que não seguem as regras impostas pelos criminosos.

— A operação de hoje pode ajudar a angariar fatos ou não (na investigação do desaparecimento). (A operação) Ela surge com um homem que foi torturado. Existe um nexo para apurar se pode ter ligação com o caso de desaparecimento. Pelo menos doze pessoas participaram da agressão, e isso foi mencionado no inquérito (da agressão) — disse o delegado Uriel Alcântara, titular da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), unidade à frente do caso.

O roubo de um pássaro que seria de um traficante da favela pode ter culminado no desaparecimento das crianças.

– A subtração de pássaros de determinado traficante pode ter levado ao crime. Houve ainda a tortura de um morador para incriminá-lo. Infelizmente, são três crianças desaparecidas. Quando tivermos provas, trataremos (a investigação) de outra forma – explicou Uriel.

Segundo a Polícia, a investigação continua para localizar os responsáveis pelo desaparecimento das crianças.

De acordo com os investigadores, um menor de 17 anos participou da agressão ao morador. Ele teria mordido a orelha da vítima dentro de um carro e dito que o diabo teria falado que era necessário beber o sangue do homem. Contra o adolescente, há um mandado de apreensão. Ele continua sendo procurado.

A imagem da vítima, antes da tortura, foi postada nas redes sociais, com uma mensagem que a apontava como suspeito pelo desaparecimento dos três meninos.

Para os investigadores, para se “eximir dos desaparecimentos”, o tráfico tentou colocar a culpa em um morador.

— Além de diversas informações (que partiu do tráfico o sumiço das crianças), temos como a própria tortura (do morador) e a imputação a ele do crime e o ônibus incendiado em dia de manifestação plantada pelos próprios criminosos. Essa linha de investigação tem um peso relevante — disse o delegado Roberto Cardoso, diretor do Departamento Geral de Homicídios e Proteção da Pessoa (DGHPP).

Ao todo, foram 22 mandados de prisão e 15 de busca e apreensão, expedidos pela Vara Criminal de Belford Roxo.

Segundo os investigadores, a operação foi uma junção entre dois inquéritos — um de crimes cometidos pelo tráfico de drogas, capitaneado pela Polinter há mais de um ano, e outro de tortura cometido por traficantes no caso dos meninos desaparecidos. Lucas Matheus, de 8 anos, Alexandre da Silva, de 10, e Fernando Henrique, de 11, foram vistos pela última vez no dia 27 de dezembro do ano passado.

— A Polinter já tinha uma investigação há tempo no Castelar, sobre o tráfico de drogas e uma série de outros delitos, como roubo de cargas, homicídios, tentativa de homicídios, corrupção de menores dentre outros. Quando surgiu o fato do desaparecimento (dos meninos), a Polinter e a DHBF começaram a se falar, tendo em vista que tínhamos uma investigação robusta — disse o delegado Felipe Curi, diretor do Departamento Geral de Polícia Especializada(DGPE).

Segundo Uriel, “diante dessa grave violação de direitos humanos, houve a ação”.

— Ao longo da investigação, identificamos os responsáveis pela tortura. Além disso, fizemos busca e apreensão. Buscamos corroborar com o desaparecimento das crianças — destacou o delegado Uriel.

O delegado Roberto Cardoso diz que “a operação de hoje demonstra a sensibilidade para a investigação do sumiço dessas crianças”.

— Não descansaremos enquanto não elucidarmos esse fato. Existe uma conjunção de esforços. Vamos dar uma resposta. Tivemos a tortura e a expulsão de um morador da comunidade, e isso mostra que o tráfico tentou se eximir do desaparecimento dos meninos.

Curi e Cardoso salientaram que a operação de hoje seguiu os mesmos padrões da realizada no Jacarezinho, no último dia 6. A ação da favela da Zona Norte do Rio é considerada pelo Supremo Tribunal Federal e por ativistas como a mais letal da história do Rio. À ocasião, 28 pessoas morreram.

— A ação da polícia depende da reação dos criminosos. Como não houve reação hoje, todos foram presos — afirmou Felipe Curi, que foi retificado por Cardoso:

— A operação de hoje teve o mesmo objetivo da do Jacarezinho, só que não houve resistência — disse.

Mais de 80 diligências foram feitas para encontrar as crianças.

Na ação de hoje quatro motos roubadas foram apreendidas. As equipes também encontraram um carro com o porta-malas sujo de sangue. De acordo com o delegado Uriel Alcântara, o automóvel é roubado e era usado para transportar desafetos da quadrilha que atua na Castelar.

O investigador disse que, há um mês criminosos, transportaram dentro do veículo o corpo de um homem que foi executado na favela. Eles também teriam cometido pelo menos outros dois crimes com o carro. O documento de uma das vítimas estava dentro do automóvel.

Lucas Matheus, de 8 anos, Alexandre da Silva, de 10, e Fernando Henrique, de 11, foram vistos pela última vez no dia 27 de dezembro, quando foram para a Feira de Areia Branca, a cerca de três quilômetros de onde eles moravam.

Depois de quatro meses sem nenhum resultado nas investigações da DHBF, o Ministério Público do estado criou uma força-tarefa para tentar identificar o que aconteceu com as crianças.

No começo de março, o MP encontrou imagens de câmeras de segurança que mostraram que os garotos passaram pela Rua Malopia, no bairro vizinho. Essa prova só surgiu mais de dois meses depois do sumiço. A Polícia Civil já havia analisado o material e disse não ter encontrado nada.

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