Operação descobre 'prisão VIP' com churrasco, uísque e móvel planejado em MS

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma operação da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul descobriu um esquema criminoso dentro de uma prisão que garantia aos presos bebidas alcoólicas, churrasco e até reforma de celas com móveis planejados.

Denominada La Catedral, a operação ganhou esse nome em referência ao apelido da prisão onde ficou o narcotraficante Pablo Escobar, na Colômbia, conhecida pelas regalias ao criminoso.

Na manhã desta quinta-feira (6), policiais do Dracco (Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado) prenderam cinco policiais penais que atuam no presídio Ricardo Brandão, em Ponta Porã (MS), na fronteira com o Paraguai. A região é conhecida pelo domínio por criminosos do PCC (Primeiro Comando da Capital), que promoveram uma onda de violência neste ano.

Durante a operação, a polícia prendeu grande quantidade de cerveja, uísque 12 anos e outras bebidas. Também foram encontradas drogas, celulares e dinheiro.

Policiais disseram à reportagem que os criminosos realizavam festas e reformavam as celas, com colocação de armários, prateleiras e até forro no teto. Os policiais penais são suspeitos de receber propina para permitir as regalias.

Entre as práticas investigadas estão a cobrança de propinas para troca de celas e remissão de pena, entrada de bebidas alcoólicas e carne in natura, venda de drogas, celulares, uso de serviços particulares pelos presos, além das alterações nas celas e entrada de comida diferenciada sem passar pela revista.

Ao todo, são investigadas 19 condutas criminosas, crimes de organização criminosa, concussão, corrupção passiva e corrupção ativa, entre outras.

Também é apurada a fuga suspeita de dois criminosos.

Em outubro, uma onda de violência na fronteira do Brasil com o Paraguai impôs uma rotina de medo e fez com que autoridades dos dois países se mexessem para tentar combater a ação do narcotráfico na região.

O alerta cresceu na última semana quando uma chacina deixou quatro pessoas mortas em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia na fronteira, incluindo duas estudantes de medicina brasileiras. No outro lado da fronteira, um vereador de Ponta Porã (MS) foi morto quando andava de bicicleta.

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