Operação contra esconderijo do EI no Sri Lanka deixa 15 mortos

Soldados protegem uma igreja de Santo Antônio de Colombo, um dos locais atingidos nos atentados no domingo de Páscoa no Sri Lanka, no dia 26 de abril de 2019

Ao menos 15 pessoas, incluindo seis crianças, morreram na madrugada deste sábado durante uma operação das forças de segurança contra um esconderijo do grupo jihadista Estado Islâmico no Sri Lanka, informou a polícia.

Quando militares e policiais se preparavam para invadir o esconderijo, em uma casa de Kalmunai, no leste do país, três homens se explodiram, matando seis crianças e três mulheres.

"Outros três homens", supostamente suicidas membros do grupo, morreram fora da residência, informou a polícia.

O assalto provocou um tiroteio de mais de uma hora e os corpos foram descobertos quando o confronto terminou, revelou o porta-voz do Exército Sumith Atapattu.

As forças da ordem não sofreram qualquer baixa.

Na sexta-feira, a polícia encontrou 150 bananas de dinamite e uma bandeira do EI durante uma batida em Sammanthurai, no local onde foi gravado o vídeo reivindicando os atentados do Domingo de Páscoa, segundo investigadores.

No domingo, ataques contra igrejas e hotéis de luxo no Sri Lanka atribuídos a extremistas islâmicos deixaram ao menos 253 mortos.

Até o momento 74 pessoas foram detidas, incluindo um homem que as autoridades acreditam ser o pai de dois homens-bomba.

Na sexta-feira, o governo informou que o extremista cingalês Zahran Hashim, considerado peça-chave dos atentados, morreu durante o ataque a um dos hotéis de luxo de Colombo.

Hashim aparecia no vídeo do Estado Islâmico que reivindicou a autoria dos ataques. Nas imagens, ele comanda sete homens em um juramento de lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al Bagdadi.

Zehran Hashim era o líder do National Thowheeth Jama'ath (NTJ), grupo extremista local relativamente desconhecido até domingo e que o governo cingalês acusa de ter executado os atentados.

Por razões de segurança, as igrejas católicas foram fechadas até nova ordem e algumas mesquitas cancelaram a oração de sexta-feira. Naquelas que não fecharam, o comparecimento não foi grande e a oração foi realizada em meio a fortes medidas de segurança.

"Agora temos informações que apontam que 140 pessoas no Sri Lanka estariam ligadas ao Estado Islâmico. Podemos e vamos erradicá-las rapidamente", anunciou o presidente Maithripala Sirisena na sexta-feira, anunciando uma lei para proibir grupos islamitas.

Com o governo na defensia por ignorar as advertências de outros países sobre a alta probabilidade de ataques, o principal líder da polícia do Sri Lanka, o inspetor geral (IGP) Pujith Jayasundara, renunciou.

Na quinta-feira, o chefe do ministério da Defesa já havia renunciado

Um alerta que o chefe de polícia emitiu em 11 de abril advertindo que o NTJ preparava ataques, nunca foi comunicado ao primeiro-ministro ou a ministros de alto escalão, em um contexto de disputa de poder entre o chefe de governo, Ranil Wickemesinghe, e o presidente Sirisena, também ministro do Interior e da Defesa.

O primeiro-ministro Wickremesinghe pediu desculpas na noite de sexta-feira no Twitter em nome do governo: "Nós assumimos nossa responsabilidade coletiva e pedimos desculpas aos nossos concidadãos por nossa incapacidade de proteger as vítimas destes trágicos eventos".

Nos últimos dias, vários países ocidentais pediram a seus cidadãos que não visitem o Sri Lanka ou deixem o país. A Austrália chegou a considerar que "novos" ataques eram "prováveis".

Por sua vez, os Estados Unidos desencorajaram seus cidadãos a viajar para o país, afirmando ter "capacidade limitada de assistência aos cidadãos norte-americanos no Sri Lanka" em razão do "terrorismo" no país.

Os ataques podem fazer, de fato, com que o setor de turismo deixe de ganhar até 1,5 bilhão de dólares este ano, anunciou o ministro das Finanças da ilha.