Operação na cracolândia no centro de São Paulo termina com cinco presos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil disse que cinco pessoas foram presas durante a operação efetuada nesta quarta-feira (11) na cracolândia da praça Princesa Isabel, na região central de São Paulo. Iniciada na madrugada, a ação contou ainda com policiais militares e guardas-civis metropolitanos.

Dois deles já eram procurados, com ordem de prisão temporária decretada contra eles.

Outros três foram presos em flagrante por tráfico de drogas. A polícia afirmou que alguns eram reincidentes, mas não soube precisar quais crimes teriam cometido antes.

Entre os presos procurados está um homem apelidado de Filé com fritas. O rapaz, de 22 anos, tem ao menos uma passagem por violência doméstica, segundo a Polícia Civil.

Ele liderava o tráfico de drogas na região, segundo o delegado seccional Roberto Monteiro, que celebrou a prisão dele.

O delegado disse que, por volta das 18h, as ações de buscas de cerca de 30 alvos dos mandados de prisão ainda continuavam.

Até o início desta noite, também houve apreensão de tijolos de maconha, de crack, de 19 balanças de precisão e de ao menos duas armas falsas, além de facas.

Monteiro não soube precisar a quantidade de drogas apreendida, mas deixou nas entrelinhas que o montante não era tão significativo.

O delegado ressaltou que operações contínuas levaram o crack a inflacionar na região: o valor da pedra passou de R$ 20 no entorno da praça Júlio Pestes para R$ 50 na praça Princesa Isabel.

A Polícia Civil estima que o tráfico na região renderia cerca de R$ 200 milhões por ano para o crime.

Ao ser perguntado se a dispersão dos usuários decorrente da operação não resultaria em um problema, o delegado respondeu que esse efeito pode afastar os usuários de traficantes e auxiliar no processo de atuação de agentes de saúde e assistentes sociais da prefeitura. "Quando nós diluímos em pequenos núcleos, é mais fácil de fazer a abordagem", disse.

Na praça Princesa Isabel, segundo a polícia, foi encontrada uma tenda de receptação de produtos furtados e utilizados na troca de drogas. No local, havia celulares, isqueiro e revistas ainda embaladas.

Segundo a polícia, a operação desta quarta (11) resulta de um trabalho de inteligência iniciado dez meses atrás, quando os usuários ainda se concentravam no entorno da praça Júlio Prestes.

O delegado afirmou que, somente nesta quarta-feira, 50 pessoas procuraram a prefeitura em busca de abrigo e outros atendimentos sociais.

Vanessa Maria Pereira da Silva, 36, disse que estava na praça no momento da abordagem. "Foi uma covardia, uma tortura. Do jeito que entraram aqui parecia que todo mundo era bandido. Chegaram quebrando tudo. Mandaram a gente ficar sentado igual no Carandiru. Ficamos sentados das 23h às 5h30", contou ela.

Silva afirmou ser escritora e que era de Francisco Morato, na Grande São Paulo. Ela estava na praça desde o começo de abril para colher relatos para um livro. Segundo ela, suas anotações foram levadas em meio à operação. "Chorei para ter o caderno de volta, mas riram de mim", disse.

Neste início de noite, ela ainda não sabia para onde iria.

ABORDAGENS DA PREFEITURA

Em nota, a prefeitura disse que, da madrugada até o fim da manhã desta quarta, orientadores do Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas) realizaram 146 atendimentos. Nem todos eles, segundo a prefeitura, levaram a direcionamento ao Serviço Integrado de Acolhida Terapêutica. "Esta é uma avaliação feita após o encaminhamento para a rede, onde esses cidadãos passam por triagem para identificar o serviço mais adequado, seja terapêutico ou socioassistencial", afirma a gestão municipal.

A Secretaria Municipal da Saúde afirmou que o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) realizou o acolhimento de 17 usuários que optaram por receber atendimento. "A pasta esclarece que os profissionais do Caps são orientados a abaixarem as portas durante ações de segurança que possam gerar reação do fluxo e, consequentemente, interferir no andamento dos trabalhos da unidade, além de garantir a segurança de acolhidos e funcionários.

Segundo a prefeitura, de 25 de março até esta terça-feira (10), houve mais de 3.000 abordagens na praça Princesa Isabel, a fim de permitir o acesso a serviços de política pública.

A Secretaria Municipal de Segurança Urbana disse que, a partir desta quinta (12), a GCM voltar a manter na região da praça um efetivo de 40 guardas no período diurno e de 40 no noturno.

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