Operação no MEC teve comemoração de servidores e tentativa de ministro de se desvincular do caso

A operação da Polícia Federal que mirou no ex-ministro da Educação Milton Ribeiro, na manhã de quarta-feira, foi recebida com cautela por parte da atual cúpula da pasta. Desde que soube da prisão do ex-chefe, o ministro Victor Godoy tentou passar uma postura de tranquilidade aos interlocutores. Apesar de ter sido número 2 de Milton Ribeiro, Godoy tem dito que não tem relação com o caso.

As buscas feitas na sede do ministério movimentou os grupos de WhatsApp de servidores, que passaram o dia trocando mensagens sobre o espisódio. Segundo relatos, a polícia cumpriu diligências em mais de um departamento do MEC. Já no Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão vinculado à pasta, o clima foi de "comemoração". A visão dos servidores, zeram uma série de denúncias contra o presidente da autarquia e aliado de Ribeiro, Danilo Dupas, é de que a operação foi uma confirmação da veracidade das denúncias a respeito do desmonte na área.

Desde que sentou na cadeira, ainda como interino, Godoy tem promovido mudanças no gabinete para afastar o fantasma do escândalo envolvendo atuação de pastores como lobistas na pasta. Ele busca se desvencilhar do caso e jogar as responsabilidades no colo de seu antecessor.

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Em seus primeiros atos na pasta, ainda antes da nomeação oficial, o ministro manteve grande parte dos secretários do alto escalão, mas substituiu assessores do gabinete e nomes que acabaram indo para o centro da polêmica, como Luciano Musse, apontado como interlocutor dos pastores Gilmar antos e Arilton Moura dentro do MEC e que também foi preso pela Polícia Federal na quarta-feira. Em seus primeiros dias, o novo ministro também pediu que fosse feita uma análise minuciosa de contratos que tiveram algum tipo de participação das pessoas citadas nas denúncias de irregularidades no MEC, como Musse.

Segundo pessoas próximas ao ministro, Godoy não se surpreendeu com as prisões e teria dito que as apurações indicam que o ex-funcionário era ligado ao círculo do ex-ministro e dos pastores e que teria tomado a atitude correta ao exonerá-lo.

Após o escândalo, de acordo com membros da pasta, o ministro determinou o fim de agendas organizadas pelos pastores e orientou ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) que não realize mais encontros entre prefeitos e pastores como os relatados nas denúncias que vieram a público. Godoy também teria designado um de seus assessores para tomar conta do cerimonial e controlar de perto as agendas do gabinete.

Uma servidora próxima de Ribeiro e que era responsável por organizar a agenda do ex-ministro foi exonerada, num movimento visto intermente como uma iniciativa para afastar do gabinete pessoas que pudessem ter algum tipo de relação com o caso. Vanessa Reis chegou inclusive a prestar depoimento à Comissão de Educação do Senado para ser ouvida nas apurações feitas pelo colegiado e confirmou que alertou Milton Ribeiro sobre pedidos indevidos feitos pelos pastores.

No rol de mudanças promovidas por Godoy está ainda a reversão de atos tomados por Ribeiro. Ele decidiu modificar, por exemplo, o comando da Consultoria Jurídica (Conjur) do MEC, que havia sido trocado por seu antecessor. Em fevereiro, como O GLOBO mostrou, a Conjur sofreu uma debandada de servidores, que pediram para sair de seus cargos de comissão após incômodo com supostas pressões exercidas por Ribeiro. Na época, os servidores afirmaram em ofício defender a "supremacia do interesse público sobre o privado", indicando intervenções do ministro em defesa da iniciativa privada.

Dez dias após assumir o ministério, Godoy demitiu Davy Jones, indicado por Milton Ribeiro, e colocou no seu lugar Saulo Queiroz, que compunha a antiga chefia da Conjur. A interlocutores, o ministro argumentou que com a mudança pretendia "rearmonizar" a área.

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