Operação no Rio visa a prevenir os crimes de oportunidade, como roubos e furtos a pedestres, tirando o ‘conforto’ de criminosos

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A oportunidade faz o ladrão. A expressão popular vai servir, a partir desta segunda-feira, 29, como ponto de partida do Conjunto de Estratégias de Prevenção, projeto da Prefeitura do Rio destinado ao combate à criminalidade. Com medidas simples, como poda de árvores, troca de lâmpadas, redução da altura dos postes, além do reforço da presença da Guarda Municipal, o objetivo é reduzir os chamados crimes de oportunidade, casos em que o criminoso identifica no ambiente chances para cometer roubos e furtos a pedestres.

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Com base em um estudo da Fundação Getulio Vargas, lastreado em dados do Instituto de Segurança Pública, a prefeitura carioca concluiu que 25% desse tipo de crime ocorre em apenas 2% do território municipal, sempre nas mesmas áreas, como crimes estáticos, há anos. Sendo assim, diz o secretário municipal de Ordem Pública, Brenno Carnevale, o plano é promover intervenções nessas regiões que tirem o “conforto” dos criminosos.

O projeto terá início hoje, como um piloto, pelo Méier, bairro apontado no estudo como um dos 20 pontos críticos dos crimes de oportunidade. As intervenções vão se concentrar no Jardim do Méier, na Praça Agripino Grieco, na passarela sobre a linha férrea e nos pontos comerciais de maior movimento na Rua Dias da Cruz. A aposta é reduzir o índice em 20% após a intervenção. A região sofrerá, segundo Carnevale, 93 ajustes. Haverá, por exemplo, patrulhamento da Guarda Municipal 24 horas por dia.

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Presidente da Associação de Moradores do Méier, Jorge Barata disse que o drama dos moradores do bairro começa às 19h30, quando os efetivos do projeto Méier Presente vão embora. Antes da pandemia, as equipes ficavam até 22h, o que garantia ao menos a proteção das pessoas na volta do trabalho. Segundo Barata, ladrões não atacam apenas transeuntes, mas visam a objetos de cobre, alumínio, aço e ferro.

A região do Méier atingida pelo projeto também passou por melhorias na iluminação pública, com a modernização de 149 luminárias e a substituição de 37 postes, e a instalação de 36 câmeras em pontos estratégicos. Os equipamentos serão monitorados em uma central de controle dedicada no Centro de Operações da Prefeitura.

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A Prefeitura do Rio já fez na região do Méier reformas de ruas e praças, com criação de um parque para animais, além de poda de árvores, limpeza do espaço público, fiscalizações do Lixo Zero e um conjunto de atividades esportivas e culturais.

A equipe da Guarda mobilizada para o projeto no Méier, antes de ir a campo, recebeu instruções sobre policiamento comunitário, uso gradativo da força, produção de dados e estratégias para mediação de conflitos, explicou o secretário.

Nas áreas mais degradadas do Méier, que são alvo preferencial dos crimes de oportunidade, a Prefeitura também promoveu a produção de grafites idealizados por artistas locais. As artes foram espalhadas pela Praça Agripino Grieco em homenagem à cultura africana tão presente no bairro. A outra iniciativa foi mapear o comércio ambulante na área do projeto, por meio de inspeções em horários alternados, com objetivo de identificar os trabalhadores que atuavam na área sem autorização da prefeitura.

No ano que vem, se a experiência no Méier funcionar, o projeto será ampliado para outros pontos críticos, prometeu Brenno Carnevale.

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