Operação policial na Vila do João, no Complexo da Maré, mata três pessoas e fere uma, dizem moradores

Gilberto Porcidonio
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Moradores da Vila do João, no Complexo da Maré, relatam que uma operação policial que começou no início da tarde deste sábado matou três pessoas e feriu uma na região. A plataforma Fogo Cruzado informou que houve registro de tiros na comunidade e também na Vila do Pinheiro às 14h45. A pessoa baleada seria uma moradora.

Em nota, a Polícia Militar informou que equipes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) estavam atuando na comunidade para reprimir criminosos na região. No local, os grupamentos foram atacadas a tiros e houve confronto. Após cessarem os disparos, os militares localizaram um indivíduo ferido portando uma pistola. O suspeito não resistiu aos ferimentos. A ocorrência está em andamento na Delegacia de Homicídios.

Nas redes sociais, estão circulando imagens de bandidos portando fuzis correndo por entre as barracas de uma feira livre que acontecia no local antes do tiroteio começar. Com a operação, as Clínicas da Família da área tiveram que interromper a vacinação do dia. Até o momento, não há informação de prisão e apreensão.

Também há imagens de um veículo blindado da polícia militar sendo manobrado no acesso da Linha Amarela que dá para a comunidade. Nas redes sociais, também circula um vídeo de uma poça de sangue sendo limpa pelos moradores da localidade. "Vidas estão sendo retiradas por uma irresponsabilidade do Estado. Uma ordem do STF sendo descomprimida aqui na Maré. Nenhuma vida perdida não tem justificativa plausível pra isso", disse um usuário do twitter ao relatar a operação.

O fotógrafo Naldinho Lourenço também cobrou, pela rede, o porquê da operação estar acontecendo mesmo com o Supremo Tribunal Federal (STF) tendo restringido as operações policiais nas comunidades do Rio durante a pandemia desde 4 de agosto do ano passado, o que configuraria uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). "Diversas denúncias de invasões de casas, carros quebrados, moradores sendo esculachados, isso passa de abuso de autoridade", relatou o fotógrafo.

Conforme divulgou a coluna de Berenice Seabra, a bancada do PSOL na Assembleia Legislativa fez, na última sexta-feira, uma representação ao Ministério Público pedindo a abertura de investigação sobre as operações policiais realizadas entre os dias 3 de fevereiro e 6 de março de 2021, nas favelas de Caixa D’Água, Dezoito, Saçu, Urubu, Flexal, Barão, Bateau Mouche, Chacrinha, Vigário Geral, Complexo do Salgueiro-São Gonçalo, Chapadão, Vila Kennedy e Morro dos Macacos-Vila Isabel.

Segundo dados da Rede de Observatórios de Segurança, a letalidade das ações policiais no Estado do Rio aumentou “de forma explosiva” em 2021. De acordo com os números divulgados pela Rede e citados na representação, foram 47 mortos e 14 feridos somente no primeiro bimestre.