Operação que interditou ruas e parou a circulação de ônibus e trens termina sem nenhuma prisão na Zona Norte

Rafael Nascimento de Souza
·2 minuto de leitura
Foto: Celso Barbosa - Código 19 / Agência O Globo
Foto: Celso Barbosa - Código 19 / Agência O Globo

Era pouco antes das 5h quando dezenas de policiais militares entraram nas comunidades do Jacaré, Mandela e Manguinhos na Zona Norte do Rio. Com aparato de guerra, os agentes tinham como o objetivo vasculhar becos e vielas em busca de informações repassadas pela inteligência da corporação. Para justificar a ação, a PM diz que havia informações de que traficantes de drogas estavam nas localidades. No entanto, após quase 12 horas na região, ninguém foi preso. Por fim, a ação teve como saldo a interdição das principais vias da região, ônibus e trens sem circulação e quatro funcionários da Supervia sequestrados.

Na manhã desta segunda-feira, para a operação, agentes da PM interditaram a Avenida Dom Helder Câmara e a Rua Leopoldo Bulhões, os dois principais acessos da comunidade. Enquanto isso, dentro das três favelas os agentes trocavam tiros com criminosos. Quem vive nas três comunidades conta que a manhã foi de terror.

"Muitos tiros. Eu tinha que sair pra trabalhar, mas fomos impedidos pelo tiroteio", disse um pedreiro de 50 anos.

Já uma empregada doméstica lembra que foi surpreendida pelo confronto quando estava a caminho do trabalho.

"Fui pega de surpresa. Estava já na principal quando começou. Voltei correndo para casa. Agora, estamos temendo por algo pior, como uma bala perdida entrar aqui em casa e atingir", relatou a mulher, que tem 40 anos e mora no Jacaré há mais de 10 anos.

Os pontos de ônibus da Leopoldo Bulhões e Dom Helder Câmara ficaram lotados de passageiros, porque as duas vias ficaram fechadas por mais de duas horas. Só depois das 7h15 os carros puderam voltar a passar.

Assim também aconteceu com os trens da Supervia. A empresa precisou suspender as composições que passavam pelo local. A reabertura só aconteceu quase sete horas depois da interrupção: às 11h.

Enquanto agentes do Bope e o Choque vasculhavam as comunidades, mais de 10 criminosos armados saíram do Jacaré e abordaram um trem de manutenção. Quatro funcionários da Supervia foram obrigados a levar os bandidos até a favela da Mangueira. De lá os suspeitos desembarcaram e entrarem para a comunidade. Ninguém foi preso.

Tenente Raphael Dias, porta-voz da Polícia Militar, disse que a corporação foi à comunidade para “verificar denúncias de barricadas e de traficantes que atuam na localidade. A corporação informou ainda que “a ação foi planejada e todos os órgãos competentes foram comunicados previamente”.

— Recebemos denúncias anônimas e fomos ao verifica-lá. A ação foi planejada e todos os órgãos competentes avisados. A ação foi pautada pelos princípios do STF. Tínhamos denúncia de criminosos que impediam o direito de ir e vir das pessoas e atentavam contra a vida dos policiais. Por isso, fomos ao local para verificar essas denúncias e retirar as barricadas — disse Dias.

Segundo o porta-voz, “na fuga criminosos sequestraram um trem para fugirem da comunidade”.

— Eles usaram esse trem para evadir do local. Mas, apreendemos armas, drogas, e dois menores foram apreendidos. Além disso, estamos retirando barricadas da comunidade.