Operações do Bope foram prejudicadas por espionagem nos últimos meses

O comandante do Bope, tenente coronel Uirá do Nascimento Ferreira, afirmou durante coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira na Cidade da Polícia, que o esquema de espionagem que monitorava equipes da Polícia Militar e repassava informações para traficantes, já prejudicou operações. De acordo com o comandante, o serviço que vinha sendo prestado por Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos, presas na madrugada de ontem enquanto seguiam um comboio do Bope, ajudava na fuga de lideranças criminosas e colocava em risco a vida dos policiais.

— O sigilo é extremamente importante para o sucesso das nossas operações, quando ele é quebrado, isso possibilita que criminosos se preparem para a nossa chegada, armando emboscadas graves, montando barricadas e surpreendendo nossas equipes — afirmou.

Segundo o tenente coronel Uirá, há fortes indícios de que a operação que ocorreu na Vila Cruzeiro no final de maio, que terminou com mais de vinte mortos, foi vazada para os criminosos. O comandante relatou que um dos comboios que seguia para a Vila Cruzeiro foi fotografado na Avenida Francisco Bicalho, no Centro do Rio, e as imagens foram enviadas para pessoas ligadas ao tráfico no local.

O porta-voz da Polícia Militar, coronel Ivan Blaz, reforçou que desmantelar esse novo braço operacional do tráfico é essencial para o futuro da segurança pública no estado.

— Além de fortemente armados para o combate e operante na área da comunicação, principalmente nas redes sociais, o crime organizado agora mostrou que está mobilizando um serviço de inteligência que coloca em risco nossas equipes e a sociedade — explicou Blaz.

Para o delegado da 21DP, Hilton Alonso, a prisão das duas mulheres envolvidas no esquema de espionagem foi muito importante, pois elas são a “ponta do iceberg”, de um gravíssimo esquema envolvendo facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas no estado. Segundo Alonso, ainda não é possível saber para quais grupos criminosos as informações obtidas por Carolina Teixeira da Silva e Keley Cristina Domingos dos Santos eram repassadas.

As duas monitoravam a saída das equipes do Bope e do Batalhão de Choque de pelo menos dois pontos da cidade: de um apartamento em Laranjeiras, alugado há cerca de 5 meses, e de uma loja na Rua Frei Caneca, alugada há dois meses. Os dois imóveis foram locados em nome de Carolina.

Hilton Alonso enfatizou que o esquema terá uma resposta imediata por parte das polícias, com apoio do Ministério Público e do sistema judiciário.

—As duas foram presas por associação ao tráfico. Agora estamos fazendo diligências, analisando imagens das câmeras de segurança e ouvindo testemunhas, tudo sob sigilo para identificar o funcionamento do esquema e para quem elas repassavam essas informações — afirmou o delegado.

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