Operações policiais deixam ao menos 6 mortos e fecham escolas no Rio

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Um jovem de 24 anos morreu baleado durante uma operação integrada das polícias Civil e Militar no Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro. Agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e da Core (Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais) atuam nas favelas Nova Holanda e Parque União desde as primeiras horas da manhã desta sexta-feira (25).

De acordo com testemunhas, o corpo de Renan de Souza Lemos teve que ser retirado da comunidade por parentes num carrinho de cargas. A família afirma que a vítima trabalhava como motorista de aplicativo e entregador. Ele deixa dois filhos pequenos. A Delegacia de Homicídios da Capital instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte.

A PM disse que um policial do Bope também foi ferido na barriga e levado para o hospital --o estado de saúde dele é estável. Um outro homem, que não teve a identidade divulgada, também foi encontrado baleado e, segundo a corporação, estaria envolvido no confronto.

Nas redes sociais, usuários relatam corpos sendo retirados da comunidade pelos próprios moradores.

A polícia afirmou que a ação realizada nesta sexta visa "coibir movimentações criminosas relacionadas a roubo de carga e roubo de veículos". Em protesto, moradores atearam fogos em objetos na avenida Brasil, em ponto próximo aos acessos ao conjunto de favelas.

Pneus, colchões e pedações de madeira foram queimados no meio da rua. Para conter os manifestantes, agentes do Batalhão de Choque e da PM usam balas de borracha e bombas de efeito moral. O policiamento continuava reforçado na região.

Segundo o COR (Centro de Operações Rio), durante o protesto, uma faixa da pista central da via, sentido zona oeste, chegou a ser fechada, impactando o trânsito da região, que era lento mesmo após a liberação.

Ainda havia relatos de tiroteio no início desta tarde, e blindados circulavam pelas comunidades que integram o Complexo da Maré. Por causa da ação policial, pelo menos 40 escolas da região e postos de saúde foram fechadas.

Segundo a PM, uma equipe do Batalhão de Operações com Cães apreendeu uma grande quantidade de drogas durante a operação. Não há informações sobre prisões.

Outras operações No Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho, cinco pessoas morreram na manhã desta sexta-feira durante uma ação da PM. Segundo a corporação, todos eram suspeitos e foram mortos em confronto com os agentes. Um policial militar também foi ferido por um tiro em uma das mãos.

O confronto, de acordo com a PM, teria ocorrido após agentes do 41° BPM (Irajá) terem sido atacados por um grupo de homens armados. "Após o cessar dos disparos todos foram socorridos para o Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha. Cinco deles não resistiram aos ferimentos. Um outro suspeito internado sob custódia", disse a corporação.

A operação, ainda de acordo com a PM, visa "reprimir o tráfico de drogas e as ações de criminosos no entorno da comunidade". Os agentes apreenderam um fuzil, quatro pistolas, uma granada e drogas. A ocorrência foi encaminhada para a 27° Delegacia de Polícia, em Vicente de Carvalho.

Já na zona oeste do Rio, a Polícia Militar realiza operações nas comunidades do Complexo de Senador Camará, Vila Aliança, Batan e 48. Durante a ação, um homem suspeito de atirar contra o subtenente Luiz Carlos da Silva morto nesta quinta-feira (25) foi preso. Armas e drogas foram apreendidas.

Segundo a polícia, o suspeito confessou informalmente ter atirado contra o carro do agente. A arma do oficial foi recuperada com o homem.

O subtenente Luiz Carlos da Silva entrou por engano na comunidade e foi alvo de tiros dos criminosos. Ele chegou a reagir, mas foi atingido e não resistiu. O sepultamento do PM ocorre na tarde desta sexta-feira no Cemitério Jardim da Saudade de Sulacap.