Ação contra Márcio França testa alinhamento entre Lula e Alckmin

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Opposition presidential candidate Geraldo Alckmin (L) shakes hands with Brazil's President Luiz Inacio Lula da Silva, candidate for re-election, before a television debate in the Globo TV studio in Rio de Janeiro October 27, 2006.  REUTERS/Sergio Moraes (BRAZIL)
Geraldo Alckmin cumprimenta o adversário Luiz Inácio Lula da Silva durante debate da TV Globo nas eleições de 2006. Foto: Sergio Moraes/Reuters

Ao menos na defesa do aliado em comum, o ex-presidente Lula (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (sem partido) mostraram alinhamento quase automático na quarta-feira 5. Alvo de uma operação da Polícia Civil que investiga possíveis desvios no sistema público de Saúde paulista, o ex-governador e pré-candidato ao Palácio dos Bandeirantes Márcio França (PSB) recebeu apoio efusivo tanto do petista quanto do ex-tucano ao longo do dia.

Lula manifestou solidariedade ao líder do PSB e pediu uma investigação “sem espetáculos midiáticos desnecessários contra adversários políticos em anos eleitorais”. Deixou, assim, entreaberta a suspeita de que a polícia agia a mando do governador João Doria (PSDB), pré-candidato a presidente e que tem em Rodrigo Garcia o nome favorito para sucedê-lo.

Desafeto do governador, Alckmin afirmou que confia na reputação e na postura de seu ex-vice governador. "Seu espírito público e sua dedicação nesses anos todos são notórios e louváveis", escreveu o desafeto do atual governador e presidenciável.

França e Doria protagonizaram um duro embate nas eleições para governador de São Paulo em 2018. O tucano venceu por pontos, no segundo turno. Na ocasião, Alckmin nunca perdoou o ex-afilhado por se aproximar de Jair Bolsonaro, já então favorito, nas presidenciais.

A operação joga água não apenas no copo de chope da candidatura de França em São Paulo. Caso avance algumas casas, ela pode afetar também o ensaio de dobradinha entre Lula e Alckmin para as eleições presidenciais. O pessebista é um dos principais entusiastas da chapa entre o petista e o ex-tucano.

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França tenta há meses convencer Alckmin, recém-saído do PSDB, a ingressar no PSB. Para ele, seria uma cartada e tanto, já que o aliado seria hoje favorito para obter um novo mandato em São Paulo. Se Alckmin topar ser candidato a vice de Lula, cresceriam as chances de França na disputa estadual. Isso agora depende do avanço das investigações, que podem levar o ex-tucano a se afastar do ex-vice e navegar em outros barcos. (Ele é cortejado também pelo PSD).

França larga hoje na disputa estadual com 19% dos votos em um cenário sem Alckmin, segundo o mais recente Datafolha. Rodrigo Garcia tem 6%.

A chance, portanto, de o PSDB deixar o Palácio dos Bandeirantes após sete eleições (de 1994 a 2018) nunca foi tão grande. Daí a suspeita dos alvos e seus aliados com o timing dos policiais e do MP paulista, historicamente alinhado aos governadores tucanos, logo nas primeiras horas do ano eleitoral.

França chamou a ação de "trabalhada" motivada por "falsas alegações". Um dos pontos da investigação, por exemplo, é a declaração de um funcionário de uma organização social de que teria ouvido falar que, caso França vencesse, “vamos ter a Saúde de São Paulo em nossa mão”. Uma frase, portanto, que chama a atenção pela literalidade.

A operação, que corre em segredo de Justiça, é um desdobramento de uma investigação iniciada em 2020 para investigar contratos suspeitos relacionados a prestação de serviços em hospitais públicos. O jornal O Estado de S.Paulo teve acesso a um pedido de quebra de sigilo fiscal e bancário contra um irmão de Márcio França, o médico Cláudio França.

No pedido, o MP lembra que uma consultoria do irmão do ex-governador tinha contrato para gerir um hospital estadual em Itanhaém (SP), mas admite que o acordo foi encerrado após França assumir o governo do estado em 2018, “possivelmente para evitar qualquer tipo de questionamento ou prejuízo à candidatura”.

Os investigadores apontam que, em outro hospital, em São Vicente (SP), reduto de França, os valores das horas de trabalho da consultoria são superiores aos efetivamente pagos aos profissionais. Há suspeitas também de fraudes em licitação.

Outro foco da investigação é a relação do líder do PSB com o médico Cleudson Garcia Montrali, condenado a mais de cem anos de prisão sob a suspeita de comandar um esquema de desvios avaliados em mais de R$ 500 milhões. Montrali foi um dos muitos doadores para a campanha de França ao governo estadual –o valor, no entanto, é relativamente irrisório, de R$ 10 mil, ainda segundo o Estadão.

No fim de seu mandato, França havia aliviado uma punição ao médico, que era diretor da Santa Casa de Araçatuba (SP), substituindo uma demissão “a bem do serviço público” por uma suspensão de 30 dias. A punição era decorrente da contratação pelo hospital, em 2010, de uma clínica da qual Montrali era sócio.

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