Operação no Jacarezinho: ONU pede investigação independente sobre ação policial que deixou 25 mortos

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A policeman takes position during an operation against drug dealers in Jacarezinho slum in Rio de Janeiro, Brazil May 6, 2021. REUTERS/Ricardo Moraes     TPX IMAGES OF THE DAY
Polícia Civil fez operação no Jacarezinho, Zona Norte do Rio, e deixou 25 mortos (Foto: REUTERS/Ricardo Moraes)
  • Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu investigação independente sobre operação no Jacarezinho, RJ

  • Porta-voz da ONU, Rupert Colville, falou em histórico de uso de força "desproporcional e desnecessário"

  • Operação da polícia deixou 25 pessoas mortas na última quinta-feira (6)

A Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do escritório de Direitos Humanos, pediu que seja feita uma investigação independente sobre a operação policial no Jacarezinho, no Rio de Janeiro. A ação deixou 25 pessoas mortas, entre eles, um policial.

Rupert Colville, porta-voz dos Diretos Humanos da ONU, classificou que há um histórico de uso “desproporcional e desnecessário” da força por parte da polícia. “Pedimos que o promotor conduza uma investigação independente e completa do caso de acordo com os padrões internacionais”, disse Colville durante entrevista coletiva em Genebra, na Suíça.

“A força só deve ser usada como último recurso e a polícia não tomou medidas para preservar as evidências na cena do crime”, declarou o porta-voz da ONU.

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A operação deixou 25 mortos e foi a mais letal da história do estado, de acordo com o Geni-UFF (Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense). A operação na última quinta-feira (6) superou recordes anteriores registrados na Vila Operária em Duque de Caxias (23 mortos em janeiros de 1998), no Alemão (19 mortos em junho de 2007) e em Senador Camará (15 mortos em janeiro de 2003).

Poças de sangue nas ruas

Blood covers a street after a police operation targeting drug traffickers in the Jacarezinho favela of Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, May 6, 2021. At least 25 people died including one police officer and 24 suspects, according to the press office of Rio's civil police. (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Operação policial no Jacarezinho deixou 25 pessoas mortas (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

Entidades como a Defensoria Pública, a Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Alerj foram até o Jacarezinho para ouvir os moradores.

“O primeiro choque inicial foi a quantidade de sangue nas ruas”, relatou a defensora pública Maria Júlia Miranda. “Eram muitas poças. Relatos de violação de domicílio e de mortes neles. Muitos muros cravejados de bala, muitas portas cravejadas de bala.”

Polícia fala em “denúncias”

Police conduct an operation against alleged drug traffickers in the Jacarezinho favela of Rio de Janeiro, Brazil, Thursday, May 6, 2021. (AP Photo/Silvia Izquierdo)
Polícia Civil alega que recebeu denúncias sobre traficantes que tentavam aliciar menores de idade (Foto: AP Photo/Silvia Izquierdo)

A Polícia Civil alega que a operação foi deflagrada após a corporação receber denúncias de que traficantes do Jacarezinho estavam aliciando crianças e adolescentes para praticarem crimes.

Duas pessoas foram atingidas no metrô, mas sobreviveram.

O policial André Leonardo de Mello Frias morreu durante a operação. Num post no Facebook, a Secretaria de Polícia Civil afirmou que Frias "honrou a profissão que amava e deixará saudade" e que "lamenta, ainda, pelas vítimas inocentes atingidas no metrô".

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