Operação prende suspeitos de envolvimento no assassinato de Marielle

Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM, chega à sede da Polícia Civil (Foto: José Lucena/Futura Press)
Ronald Paulo Alves Pereira, major da PM, chega à sede da Polícia Civil (Foto: José Lucena/Futura Press)

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado) do MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) desencadeou, na manhã desta terça-feira, a operação “Os Intocáveis”, em Rio das Pedras, na Zona Oeste do Rio, e outras localidades da cidade, que prendeu ao menos cinco suspeitos de envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. As informações são do jornal O Globo.

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Os presos são integrantes da milícia mais antiga e perigosa do estado. A ação conta com o apoio da Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) da Polícia Civil.

Para a operação, que mobiliza cerca de 140 policiais, a Justiça expediu 13 mandados de prisão preventiva contra a organização criminosa. Segundo apurou O Globo, os principais alvos da operação são o major da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira; o ex-capitão do Bope (Batalhão de Operações Especiais) Adriano Magalhães da Nóbrega, chefe da milícia de Rio das Pedras; e o subtenente reformado da PM Maurício Silvada Costa, o Maurição.

De acordo com as informações do jornal O Globo, embora o objetivo da ação seja atacar a milícia que explora o ramo imobiliário ilegal em Rio das Pedras com ações violentas e assassinatos, há indícios de que dois dos alvos de prisão comandem o “Escritório do Crime”, braço armado da organização, especializado em assassinatos por encomenda. Os principais clientes do grupo de matadores profissionais são contraventores e políticos.

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O major Ronald, 43, é investigado por integrar a cúpula do “Escritório do Crime”. Ele foi denunciado por comandar os negócios ilegais como grilagem de terra e agiotagem, além de ser réu no processo de homicídio de cinco jovens na antiga boate Via Show, em 6 de dezembro 2003. O oficial foi preso no condomínio fechado Essence, perto do Parque Olímpico, na Zona Oeste.

Maurição, 56, é uma espécie de capataz dentro de Rio das Pedras, dando ordens sobre as cobranças dos imóveis da facção e controla as vans. Também foi preso Manuel de Brito Batista, o Cabelo – que atua na quadrilha como contador e gerente armado. Os agentes encontraram Cabelo dormindo em seu quarto, em uma casa no condomínio de luxo Floresta Country Club, na Estrada do Bouganville 442, bloco C1.

Os outros presos na operação são Benedito Aurélio Ferreira Carvalho e Laerte Silva de Lima. Benedito é apontado como “laranja” da organização criminosa. Ele empresta o nome para a abertura de uma empresa de construção civil na Junta Comercial do Rio. Já Laerte é o braço armado da quadrilha. É um dos responsáveis pelo recolhimento e repasse das taxas cobradas aos moradores e comerciantes, além da parte de agiotagem.

Seis meses de investigação

A operação é resultado de seis meses de investigação conduzida pelo Gaeco e pela 23ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal. A denúncia, com os pedidos de prisão, busca e apreensão, foi distribuída para o 4º Tribunal do Júri da Capital.

A denúncia do MP aponta a milícia de Rio das Pedras como a responsável pela extorsão de moradores e comerciantes da região com cobranças ilegais de taxas referentes a “serviços” prestados. O grupo também oculta bens adquiridos com proventos das atividades ilícitas e falsifica documentos públicos, segundo apurou o jornal O Globo.

Para conseguir a regularização dos imóveis ilegais, o grupo montou uma estrutura hierarquizada. Cada integrante da quadrilha tem uma função. Há, por exemplo, contador e até despachantes para o pagamento de propina para agentes públicos. Até então, todas as operações policiais contra a milícia de Rio das Pedras haviam excluído os chefes da organização.

Ativista e defensora dos direitos humanos, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e o motorista Anderson Pedro Gomes foram assassinados a tiros, em 14 de março, no centro da capital fluminense, depois de um evento político.

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