Opinião pública e mudança climática: pesquisa mostra a diferença entre países

As mudanças climáticas têm sido apontadas como origem de fenômenos como as ondas de calor que vêm gerando temperaturas recorde na Europa e os cada vez mais frequentes eventos climáticos extremos — como as chuvas torrenciais deste ano no Brasil. Mas se existe crescente pressão sobre líderes mundiais para adotar ações emergenciais, a preocupação com o tema ainda é pouco determinante na opinião pública. Segundo uma pesquisa recente da Ipsos feita com entrevistados de 27 países, as mudanças climáticas são prioridade para 16%, na média. Apesar da alta relevância do tema, o Brasil é um dos países nos quais a população vê a mudança climática como sendo menos prioritária, ficando atrás de problemas econômicos tidos como mais urgentes.

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Segundo levantamento de junho da Ipsos Global Advisor, que investiga as preocupações das populações de diferentes países, as mudanças climáticas foi a oitava opção mais mencionada como preocupante. Ficou atrás de inflação — que vem se tornando questão central mundo afora desde 2021 e domina a pesquisa, com 37% de menções —; pobreza e desigualdade social (31%); desemprego (28%); crime e violência (27%); corrupção (24%); saúde (20%); e impostos (18%). A pandemia caiu para a décima posição,mencionada por 12%.

Desde 2020, a pesquisa vem mostrando as preocupações com o clima flutuando na casa acima dos 10% e abaixo dos 20%, mundialmente. Hoje, os países cujas populações mais se mostram atentas ao tema são a Austrália (31%), a Alemanha (28%) e o Canadá (24%), além dos empatados em 23%, Bélgica, Índia e Holanda.

As maiores variações em relação à pesquisa anterior foram aumentos de seis pontos na Espanha e de cinco em Coreia do Sul e Itália, além de recuo de três pontos nos EUA (onde o presidente Joe Biden está sob pressão para decretar emergência climática) e Reino Unido.

Prioridade pode até ser menor ao tema, mas preocupação é alta

Enquanto a lanterna do levantamento é a Argentina, com 3% de entrevistados priorizando o tema, o Brasil é o penúltimo, com 4%. Mas vale ressaltar que, mesmo que os números possam indicar mais ou menos preocupação, a metodologia da pesquisa é a de perguntar quais os três temas que mais preocupam cada pessoa. No Brasil, mais citados foram pobreza e desigualdade social (42%), e crime e violência (34%), além de inflação e desemprego (ambas mencionadas por 31%).

Inclusive, outras pesquisas recentes mostram um panorama de preocupação com o tema no país. Em uma sondagem recente da própria Ipsos, 77% dos brasileiros disseram estar preocupados com os impactos das mudanças climáticas no país. Para 75%, o governo “falha com a população quando não age para combater as mudanças climáticas”, frente a uma média global de 68%. Já 34% dos brasileiros acreditam que o governo não tem um plano claro de combate às mudanças climáticas, e 39% afirmam que o país “não terá resultados positivos no combate às mudanças climáticas na próxima década”.

A edição de junho da pesquisa de preocupações da Ipsos Global Advisor foi feita com 19 mil adultos em 27 países, entre 27 de maio de 2022 e 6 de junho de 2022, por meio do sistema Ipsos Online Panel. No Brasil, foram cerca de 1.000 entrevistados.

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