Oponentes de golpe de Mianmar formam governo de união visando restaurar democracia

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Min Ko Naing

(Reuters) - Oponentes da junta de Mianmar anunciaram nesta sexta-feira um Governo de União Nacional que inclui membros expulsos do Parlamento e líderes de protestos contra o golpe e de minorias étnicas, dizendo que seu objetivo é extirpar o controle militar e restaurar a democracia.

Mianmar passa por tumultos violentos desde o golpe de 1º de fevereiro que depôs o governo civil liderado pela ativista democrática Aung San Suu Kyi, que ocupava o poder há cinco anos e iniciava seu segundo mandato após uma vitória eleitoral contundente em novembro.

Pessoas têm ido às ruas dia após dia para exigir a restauração da democracia e desafiado a repressão das forças de segurança, que já deixou mais de 700 mortos, de acordo com um grupo de monitoramento.

Ao mesmo tempo, líderes políticos, inclusive parlamentares expulsos do Congresso pertencentes ao partido de Suu Kyi, tentam se organizar para mostrar ao país e ao mundo exterior que eles, e não os generais, são a autoridade política legítima.

"Deem as boas-vindas ao governo do povo", disse o veterano ativista democrático Min Ko Naing em um vídeo de 10 minutos para anunciar a formação do Governo de União Nacional.

Embora tenha delineado poucas posições, Min Ko Naing disse que a vontade do povo é a prioridade do governo de união, mas reconhecendo a escala da tarefa à sua frente.

"Estamos tentando extirpar isto pelas raízes, por isso temos que sacrificar muito", disse ele em referência à junta.

Não foi possível contatar um porta-voz da junta para obter comentários.

Os generais justificaram a tomada de poder com acusações de fraude na eleição de novembro, mas a comissão eleitoral refutou as objeções.

Um dos principais objetivos do governo de união será angariar apoio e reconhecimento internacionais.

Seu ministro da Cooperação Internacional, doutor Sasa, disse aos repórteres que Estados Unidos e Reino Unido reconheceram o líder opositor venezuelano Juan Guaidó como líder legítimo daquele país.

"Somos os líderes eleitos democraticamente de Mianmar", disse Sasa. "Por isso, se o mundo livre e democrático nos rejeitar, isto significa que rejeita a democracia."

A pressão internacional contra os militares de Mianmar também está crescendo, particularmente da parte de governos ocidentais que impõem sanções limitadas, mas há tempos os generais minimizam o que veem como interferência estrangeira.

(Da redação de Reuters)

((Tradução Redação São Paulo, 5511 56447702)) REUTERS AC