Oposição de Angola contesta vitória do partido governista nas eleições legislativas

O principal partido de oposição de Angola anunciou nesta terça-feira (30) que vai contestar os resultados das eleições legislativas acirradas que apontam a vitória do partido governista, o que significa um segundo mandato para o presidente João Lourenço.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), que governa o país desde a independência de Portugal em 1975 - recebeu 51,17% dos votos, segundo os resultados definitivos publicados na segunda-feira, contra 43,95% da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).

O partido "não reconhece os resultados" da Comissão Nacional Eleitoral (CNE) e "apresentará um recurso que terá como efeito a suspensão da declaração dos resultados definitivos", afirmou o secretário-geral da UNITA, Álvaro Chikwamanga Daniel, em um vídeo enviado à AFP.

O partido de oposição, liderado por Adalberto Costa Júnior, de 60 anos, afirmou "que não foi informado sobre a decisão" da Comissão de ratificar os resultados provisórios que não recebeu uma "cópia do processo de apuração".

Os candidatos têm 72 horas após o anúncio dos resultados para contestar a apuração no Tribunal Constitucional.

Quatro dos 16 membros da CNE não assinaram os resultados definitivos. A UNITA já havia questionado os resultados preliminares publicados na semana passada que indicavam a vitória do MPLA.

A UNITA, que afirma ter organizado uma apuração paralela, afirma que recebeu mais votos.

Antes das eleições, a oposição e alguns meios de comunicação alertaram para o risco de fraude e os observadores da União Africana e da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral expressaram na semana passada sua "preocupação", em particular com as listas eleitorais.

Menos da metade das 14,4 milhões de pessoas registradas para votar compareceram às urnas para a eleição que teve a participação de oito partidos.

- "Diálogo" -

"Esta é uma vitória para Angola e o povo angolano", declarou Lourenço na sede de seu partido após o anúncio dos resultados, antes de prometer "diálogo" em seu segundo mandato.

Angola não teme eleição presidencial direta e o líder do partido vencedor das legislativas conquista automaticamente o cargo de chefe de Estado.

O MPLA, que venceu as eleições de 2017 com 61% dos votos, registrou desta vez o seu resultado mais ajustado. Em 2012 o partido recebeu 71,84% dos votos.

O partido conserva a maioria no Parlamento, com 124 cadeiras das 220, mas perdeu a maioria de dois terços que permitia a aprovação de leis sem a necessidade de apoio de outro partido.

A oposição, estimulada por um desejo crescente de mudança em um país rico em recursos naturais, mas que enfrenta graves dificuldades econômicas, está mais forte do que nunca e conquistou 90 cadeiras no Parlamento.

O partido de Adalberto Costa Júnior, de 60 anos, atraiu em particular os jovens, uma parcela crescente do eleitorado, com promessas de reforma, redução da pobreza e medidas anticorrupção.

A geração nascida depois da guerra civil, que terminou em 2002 com um balanço de 500.000 mortes em 27 anos, não sente tanta lealdade ao MPLA como os angolanos mais velhos.

Mais da metade dos 33 milhões de angolanos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo o Banco Mundial.

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