Oposição armênia se mobiliza contra o acordo em Nagorno Karabakh

Hervé BAR
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Policiais armênios prendem um manifestante que protestava contra o acordo de cessar-fogo em Nagorno Karabakh, em Yrevan

Oposição armênia se mobiliza contra o acordo em Nagorno Karabakh

Policiais armênios prendem um manifestante que protestava contra o acordo de cessar-fogo em Nagorno Karabakh, em Yrevan

A oposição armênia se mobilizou nesta quarta-feira (11) contra o primeiro-ministro Nikol Pashinyan, que acusa de ter traído o país com o acordo de cessar-fogo em Nagorno Karabakh, no qual aceitou a devolução de vastos territórios para o inimigo Azerbaijão.

Entre 2.000 e 3.000 manifestantes, simpatizantes da oposição, se reuniram até o meio-dia em Erevan, segundo um correspondente da AFP.

Vários deles, incluindo figuras políticas como o líder do partido Armênia Próspera, foram detidos no início do protesto. Mais tarde, a polícia permitiu a manifestação.

"Não podem prender todo o país", gritou em um megafone o deputado do partido Armênia Próspera Arman Abovian, enquanto a multidão gritava frases contra o primeiro-ministro Pashinyan, a quem acusam de ter se rendido.

"São cúmplices dos turcos, não os apoiem", disse Arthur Vanetsian, um ex-líder dos serviços de inteligência, em alusão ao inimigo ancestral e aliado do Azerbaijão.

Após duas horas de discursos e perseguições, os manifestantes finalmente seguiram em direção à sede do governo e depois do parlamento.

A polícia deteve 135 pessoas antes de libertá-las mais tarde, de acordo com um porta-voz entrevistado pela AFP.

A notícia, no entanto foi celebrada no Azerbaijão e o presidente Ilham Aliyev exultou com a "capitulação" armênia.

Na quarta-feira, Aliyev disse aos militares que seu país obteve uma "brilhante vitória" e considerou que Pashinyan foi "suficientemente humilhado" e "punido por seus atos ignóbeis".

Ele também disse que quer "compensação" da Armênia pelas destruições "materiais e morais" desta guerra.

- Envio de soldados russos -

Paralelamente, os primeiros soldados das forças de paz russas foram destacados para a zona de conflito, nas imediações da área que ainda está sob controle armênio no Azerbaijão, após seis semanas de combates mortais, os mais graves desde a guerra dos anos 1990.

O acordo assinado na terça-feira consolida importantes vitórias militares do Azerbaijão na região montanhosa, após combates que deixaram cerca de 1.500 mortos.

O primeiro-ministro armênio Pashinyan defendeu que o cessar-fogo era a única forma de preservar a sobrevivência da república autoproclamada de Nagorno Karabakh, embora esta tenha sido diminuída e enfraquecida.

"Conservamos o que não conseguiríamos conservar se os combates continuassem", afirmou Pashinyan em um vídeo publicado no Facebook.

O acordo prevê que Baku retome o controle de sete distritos azerbaijanos vizinhos de Nagorno Karabakh e o envio das forças de paz russas.

Além disso, o Azerbaijão também conquistou alguns territórios do norte e do sul da república separatista.

As terras que estão sob controle separatista estarão conectadas com a Armênia apenas pelo corredor de Lachin, de cinco quilômetros, que tornou-se sua única via de abastecimento, para onde os primeiros soldados russos foram enviados nesta quarta-feira.

Segundo indicou em um comunicado o general russo Serguei Rudski, já chegaram cerca de 400 dos 1.960 soldados das forças de paz que serão destacadas nos próximos dias.

Apesar desse revés histórico, o líder do enclave separatista, Arayk Harutyunyan, pediu a seus concidadãos que retornassem à região. "Voltem. Vocês não encontrarão nenhum lugar melhor do que Artsakh", disse ele, usando o nome armênio de Nagorno Karabakh.

Com o acordo, que não prevê nenhuma solução favorável o conflito, o presidente russo Vladimir Putin consolidou sua posição no Cáucaso Sul, assim como a Turquia, um importante aliado de Baku, que desempenhará um papel de vigilante da aplicação do cessar-fogo.

Em Nova York, o Conselho de Segurança da ONU realizou uma reunião informal sobre esse acordo, a pedido da Rússia, que queria apresentar os detalhes do pacto.

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