Oposição bielo-russa recebe Prêmio Sakharov 2020 de Direitos Humanos

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Manifestante faz sinal da vitória em protesto da oposição contra resultado das últimas eleições presidenciais bielo-russas, em 18 de outubro de 2020, em Minsk
Manifestante faz sinal da vitória em protesto da oposição contra resultado das últimas eleições presidenciais bielo-russas, em 18 de outubro de 2020, em Minsk

O movimento democrático em oposição ao presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko, ganhou o prestigioso Prêmio Sakharov de 2020 para os direitos humanos - anunciou o Parlamento Europeu nesta quinta-feira (22).

Segundo o presidente do Parlamento Europeu, David Sassoli, este grupo de oposição "tem algo do seu lado que a força bruta nunca pode derrotar: a verdade. Não baixe os braços. Estamos ao seu lado". 

"É uma honra anunciar que os homens e mulheres da oposição democrática em Belarus são os laureados do Prêmio Sakharov para 2020", anunciou Sassoli no Twitter.

A distinção será entregue em sessão plenária do Parlamento Europeu, em 16 de dezembro. Dotado de 50.000 euros (US$ 58.000), foi entregue pela primeira vez a Nelson Mandela, em 1988.

"Não é um prêmio pessoal, é uma recompensa para o povo bielo-russo", disse a líder da oposição Svetlana Tikhanivskaya, em uma entrevista coletiva em Copenhague, durante uma visita de dois dias.

O movimento de oposição bielo-russo, que, em grande parte, não tem relação com qualquer partido tradicional no país, é liderado por Svetlana, atualmente exilada na Lituânia.

O prêmio deve acrescentar mais um elemento de tensão nas relações de Bruxelas com Minsk e Moscou, dois firmes aliados. E chega em um momento delicado. Tikhanovskaya convocou Lukashenko a deixar o poder antes de 29 de outubro, sob o risco de enfrentar uma greve geral em massa.

Belarus é palco de protestos sem precedentes contra a reeleição de Lukashenko, que se mantém no poder desde 1994, à frente de um modelo que muitos identificam como inspirado en el sistema soviético.

Este grupo de oposição é um movimento popular em geral alheio aos partidos políticos tradicionais de Belarus. Recebe um apoio em massa entre mulheres e jovens, muitos dos quais não conheceram a extinta União Soviética.

A União Europeia não reconhece o resultado das eleições de 9 de agosto, que marcaram a reeleição de Lukashenko, e considera que seu governo carece de "legitimidade democrática". 

Na semana passada, líderes europeus adotaram sanções contra 40 autoridades bielo-russas por seu papel em fraudar as eleições, ou reprimir as manifestações que se seguiram.

Até agora, porém, a UE se absteve de incluir o próprio Lukashenko na lista de sanções, embora fontes diplomáticas concordem que esta medida pode ser adotada a qualquer momento.

- Repressão aos protestos -

Em um país que fez da alta tecnologia um eixo de desenvolvimento prioritário, os protestos se organizam, em grande parte, pelos canais do aplicativo de mensagens Telegram. Apesra de seus esforços, o governo não conseguiu bloqueá-lo.

Todos os domingos, dezenas de milhares de bielo-russos tomam as ruas da capital, Minsk, e de outras cidades do interior do país, apesar das ameaças de repressão policial.

Aos sábados, acontecem as manifestações das mulheres, enquanto os aposentados ocupam as ruas às segundas-feiras.

Quase todas as personalidades ligadas a Tikhanovskaya e ao Conselho de Coordenação, formado para conseguir uma transição de poder, foram detidas, submetidas à detenção domiciliar, ou se encontram no exílio.

Com o apoio da Rússia, Lukashenko exclui qualquer concessão importante, prometendo uma vaga reforma constitucional para sair da crise e um simulacro de diálogo com os opositores detidos, visitando-os na prisão.

ahg/zm/tt