Oposição chama pacote de Guedes de 'PECs da agiotagem' e defende reforma tributária

Isabella Macedo
A deputada Jandira Feghali: prioridade para o debate da reforma tributária.

BRASÍLIA — O pacote de medidas entregue ontem ao Congresso pelo presidente Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe econômica, liderada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, foi apelidada de "pacote do mal" e "PECs da agiotagem". Em entrevista coletiva, os líderes dos partidos de oposição defenderam que a prioridade após a reforma da Previdência, já aprovada no Congresso, seria a reforma tributária.

- São três PECs da agiotagem. Esse é o nome das PECs, que tiram mais recursos para pagamento da dívida pública. Isso está escrito - criticou a líder da minoria na Câmara, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

O pacote entregue ontem ao congresso tem seis projetos, incluindo três Propostas de Emenda à Constituição (PECs), e foi batizado de Plano Mais Brasil.

Jandira defendeu que a próxima medida a ser debatida seria uma reforma tributária:

- Nós queremos debater a reforma tributária como instrumento de superação da desigualdade no Brasil - A oposição apresentou em um evento na Câmara, no início do mês passado, uma proposta de reforma tributária com a presença do presidente da Casa, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Citando dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a deputada afirmou que as propostas reforçariam a desigualdade no país. A oposição destacou sete pontos que considerou preocupantes no pacote, incluindo o congelamento do salário mínimo até 2021, a extinção do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e a extinção de municípios com menos de 5 mil habitantes.

Os líderes, entretanto, avaliam que o último ponto deve ser um "bode na sala" a ser retirado como moeda de troca na negociação para que outros pontos sejam aprovados.

Para o líder da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ), o governo propôs mudanças inconstitucionais para que o país se torne "amanhã o que o Chile é hoje", e que o governo não tem coragem de propor uma reforma tributária.

- O governo quer congelar o salário dos trabalhadores que menos ganham no país, o salário mínimo, por dois anos. Mas não tem coragem de mandar a essa Casa uma proposta sequer que mexa com os privilégios dos super ricos.