Oposição e forças de segurança entram em confronto na Venezuela em protestos anti-Maduro

Por Alexandra Ulmer e Girish Gupta
Manifestantes em meio a gás disparado pela polícia em Caracas 6/4/2017 REUTERS/Marco Bello

Por Alexandra Ulmer e Girish Gupta

CARACAS (Reuters) - Manifestantes da oposição venezuelana e forças de segurança entraram em confronto nesta quinta-feira, num momento em que a oposição fragmentada do país recebeu um novo ímpeto contra o governo socialista, apontado por ela como culpado pelo colapso social e econômico do país.

As manifestações foram desencadeadas pela ação do Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela na semana passada de assumir controle do Congresso, liderado pela oposição.

Manifestantes disseram que o ato era uma guinada à ditadura.

Embora a decisão amplamente condenada tenha sido revertida rapidamente, a oposição aumentou protestos nas ruas contra o presidente Nicolás Maduro, apesar de tais manifestações terem alcançado pouco no passado.

Milhares de pessoas bloquearam uma rodovia importante de Caracas nesta quinta-feira, gritando “Fora Maduro!” e “Ditadura nunca mais!” e prometeram marchar ao escritório do ouvidor estatal, principal defensor de direitos humanos do governo.

"O defensor de direitos humanos precisa parar de ser defensor do Partido Socialista”, disse o líder da oposição, Henrique Capriles, em transmissão online enquanto participava da passeata, usando um chapéu com as cores da Venezuela: amarelo, vermelho e azul.

Forças de segurança bloquearam a passeata, gerando confrontos com dezenas de jovens mascarados em uma cena repetida diversas vezes nos últimos 15 anos na Venezuela.

Manifestantes atiraram pedras e coquetéis molotov, enquanto agentes da segurança usaram gás lacrimogêneo e dispersaram as multidões por volta do meio da tarde.

Manifestantes disseram estar mais comprometidos do que nunca e que irão tomar as ruas novamente.

Na segunda-feira, Maduro disse que funcionários do setor público terão a próxima semana livre, gerando críticas de que estaria tentando neutralizar os protestos nas ruas.

“Este é um momento fundamental para o futuro da Venezuela”, disse José Miguel Rodríguez, estudante de 22 anos que marchava em Caracas.

“Vejo mais bravura nas ruas. As pessoas estão mais determinadas. Temos que fazer mais sacrifícios. É hora de defendermos a democracia e a liberdade.”

A oposição pede a remoção de sete juízes do Tribunal Supremo de Justiça que assinaram a decisão da semana passada. Críticos a Maduro acusam o governo de adiar eleições para governos estaduais, que, segundo pesquisas, não seriam boas para os socialistas.

A Venezuela sofre com uma inflação de três dígitos, escassez de alimentos básicos e remédios, e uma das taxas de homicídios mais altas do mundo.

O governo de Maduro havia dito que uma elite comercial apoiada pelos Estados Unidos seria responsável pelo recuo econômico da Venezuela e que está tentando um golpe para impor um governo de direita. Seus apoiadores também marcharam em Caracas nesta quinta-feira.

“Sr. Capriles, você está tentando incendiar o país”, disse Freddy Bernal, autoridade do Partido Socialista, durante a manifestação do governo. “Você está buscando mortes. Depois não venha dizendo que é um prisioneiro político. Depois não venha chorando que está sendo perseguido.”