Oposição faz ato para protocolar 8º pedido de impeachment contra Temer após notícia de gravação

Manifestantes protentam contra presidente Michel Temer no Rio de Janeiro 18/05/2017 REUTERS/Pilar Pilares

BRASÍLIA (Reuters) - Em ato promovido por parlamentares da oposição, representantes da sociedade civil protocolaram o oitavo pedido de impeachment do presidente Michel Temer após notícia de gravação na qual o peemedebista teria dado aval à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. O pedido de impedimento foi assinado também pelo presidente do PSB, que tem um ministro no governo.

A denúncia por crime de responsabilidade contra Temer cita reportagem da quarta-feira do jornal O Globo, confirmada à Reuters por três fontes, segundo a qual o presidente foi gravado por Joesley Batista, um dos controladores do frigorífico JBS, dando apoio à compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha e do ao doleiro Lúcio Funaro, um dos operadores presos na Lava Jato, ambos presos.

"Os fatos narrados são suficientes para responsabilização do senhor Michel Temer pela prática de crime de responsabilidade", diz o documento assinado pelos professores universitários Beatriz Vargas e Marcelo Neves, pelo agricultor Alexandre José da Conceição, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), pela servidora Maria Perpétua de Almeida, por Raimundo Luiz Silva Araújo, e o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira.

Segundo o advogado Gabriel de Carvalho Sampaio, que participou do grupo de trabalho para a elaboração da peça, a denúncia protocolada publicamente nesta quinta-feira no Salão Verde da Câmara dos Deputados, deixa "patente" a violação "aos mais elevados princípios da Constituição Federal".

"A dignidade do cargo da chefia de Estado e da chefia de governo do país foi violada pelas condutas que se tornaram públicas", disse o advogado.

"A potencial prática do crime de corrupção ou de suborno violando inclusive a dignidade do sistema de Justiça do nosso país, do Poder Judiciário do nosso país, ao se buscar silenciar pessoas, potenciais colaboradores da Justiça que podem revelar uma situação ainda mais grave no nosso país em relação à práticas do ato de corrupção", afirmou Sampaio.

"Todas essas condutas estão capituladas na nossa Constituição e merecem a reprovação por parte deste Parlamento."

Antes mesmo de se completarem 24 horas após a divulgação de informações sobre gravação de Temer, a Secretaria-Geral da Câmara dos Deputados já registrava o protocolo de oito pedidos de impeachment.

Dois deles foram apresentados pelo deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), um pelo deputado JHC (PSB-AL), outro pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) em conjunto com outros parlamentares e o quinto pelo deputado João Gualberto (PSDB-BA). No fim da tarde foi a vez da apresentação da denúncia apoiada pela oposição. A Secretaria não pode informar imediatamente os autores dos outros dois pedidos.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)