Oposição guineana convoca manifestações após resultados eleitorais

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O presidente da Guiné, Alpha Condé (C), vota nas presidenciais de 18 de outubro de 2020, em Conakry
O presidente da Guiné, Alpha Condé (C), vota nas presidenciais de 18 de outubro de 2020, em Conakry

Dez candidatos da oposição nas eleições presidenciais de 18 de outubro, na Guiné, pediram nesta sexta-feira (30) a seus partidários para retomar as manifestações na terça, rejeitando os resultados provisórios que indicam a reeleição do presidente, Alpha Condé.

O anúncio da reeleição, em 24 de outubro, gerou alegria entre partidários de Condé e uma semana de violência mortal entre manifestantes dos dois lados, bem como confrontos entre as forças de ordem e os jovens manifestantes em bairros favoráveis à oposição.

"Levando em conta as graves irregularidades registradas antes, durante e depois das eleições, os participantes decidiram refutar categoricamente os resultados provisórios proclamados", declarou à imprensa, em Conakry, Cellou Dalein Diallo, segundo colocado nas eleições, juntamente com outros nove candidatos.

Participaram do pleito 12 candidatos.

Segundo Aliou Condes, secretário-geral do partido de Diallo, a União de Forças Democráticas da Guiné (UFDG), apenas um, Laye Souleymane Diallo, reconheceu a vitória do chefe de Estado.

"Vamos emitir um comunicado para pedir que sejam suspensas as manifestações até a terça-feira", prosseguiu Diallo, que já tinha rechaçado os resultados desde sua proclamação por parte da Comissão Nacional Eleitoral (CENI).

"A partir de terça-feira, vamos retomar as manifestações pacíficas nas ruas e praças públicas para denunciar o roubo eleitoral em curso e exigir o reconhecimento da nossa vitória", acrescentou o opositor.

Segundo os resultados provisórios anunciados em 24 de outubro pela CENI, o chefe de Estado, de 82 anos, foi reeleito para um terceiro mandado controverso, com 59,5% dos votos.

O líder da oposição teve 33,5% dos votos. 

Segundo o governo, a violência pós-eleitoral causou a morte de 21 pessoas, entre elas membros das forças de ordem.

A oposição denuncia uma repressão sangrenta, que deixou pelo menos 27 mortos. Nesta sexta, Diallo afirmou que mais de trinta pessoas teriam sido assassinadas.

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