Oposição em Hong Kong acirra críticas ao governo após protestos históricos

Por Yan ZHAO
Representantes pró-democracia fazem cinco minutos de silêncio em Hong Kong, em 19 de junho de 2019, em homenagem a um homem morto no protesto contra um projeto de lei para extradições para China

O Parlamento de Hong Kong se reuniu, nesta quarta-feira (19), pela primeira vez desde os protestos em massa nas ruas contra o projeto de lei sobre extradições para a China.

A sessão foi tensa, marcada por fortes críticas da oposição contra o gerenciamento da crise por parte do Executivo pró-Pequim.

Nos últimos dez dias, a ex-colônia britânica foi palco de um movimento de protesto de magnitude histórica contra esse polêmico projeto de lei - no momento em suspenso - que buscava autorizar as extradições para a China continental.

Em uma acalorada sessão no Conselho Legislativo (LegCo, o Parlamento local), o secretário de Segurança de Hong Kong, John Lee, sofreu fortes críticas da oposição pelo uso da força policial, especialmente na gigantesca manifestação de 12 de junho.

Muitos representantes da oposição se vestiram de preto e exibiram uma flor branca para homenagear um militante que morreu ao cair de um prédio no sábado. O ativista reivindicava a retirada total deste projeto de lei.

Outros políticos penduraram cartazes em seus gabinetes, onde se podia ler: "Retirada! Retirada!".

"Estamos tristes que algumas pessoas tenham ficado feridas, porque estavam expressando sua opinião", declarou Lee, que voltou a apresentar as desculpas do governo pela polêmica provocada pelo projeto de lei.

Ele reafirmou, porém, que os policiais reagiram às ameaças dos manifestantes, um argumento inaceitável para a oposição.

"A polícia está bem treinada. Vocês têm todos os equipamentos e dizem que a polícia estava ameaçada", rebateu a deputada pró-democracia Claudia Mo, acrescentando que "isso não é nada convincente".

Embora um milhão de pessoas tenham ido às ruas - segundo os organizadores - no dia 9 de junho em protesto contra este projeto de lei, a governadora de Hong Kong disse desde o início que sua intenção era submeter o texto ao LegCo, como previsto.

No dia 12, os deputados não conseguiram ingressar na Câmara, que teve sua entrada bloqueada pelos manifestantes. Para repelir a multidão que tentava "tomar" o LegCo, a polícia usou gás lacrimogêneo, cassetetes, gás pimenta, balas de borracha, entre outros recursos.

Frente à comoção causada pela violenta repressão policial, registrada em vídeos que viralizaram nas redes sociais, Lam anunciou, no último sábado (15), a suspensão do texto. Ontem, apresentou suas "mais sinceras desculpas" pela crise, ignorando os pedidos por sua renúncia.

Nesta quarta, um representante da oposição anunciou que apresentaria uma moção de censura contra Lam. A reunião foi suspensa até quinta-feira, e a moção acabou não sendo submetida à Casa.

"Este enorme caos é um espetáculo que não quero voltar a ver", disse o presidente do LegCo, Andrew Leung, pedindo ao Executivo que não enviar o texto para a Câmara novamente.