Oposição insiste em ficar com a Paulista para ato contra Bolsonaro no 7 de Setembro e pressiona Doria

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BRASÍLIA, DF, 24.08.2021 - Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, aguarda a chegada do presidente da Guiné-Bissau, general Umaro Sissoco Embaló, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 24.08.2021 - Presidente Jair Bolsonaro, acompanhado do ministro das Relações Exteriores, Carlos França, aguarda a chegada do presidente da Guiné-Bissau, general Umaro Sissoco Embaló, no Palácio do Planalto, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Grupos de oposição a Jair Bolsonaro que disputam com apoiadores do presidente o direito de usar a avenida Paulista no 7 de Setembro insistem em ter aval para fazer no local seu ato pelo impeachment e pressionam o governador João Doria (PSDB), em um caso que já virou imbróglio judicial.

O questionamento parte de líderes da Campanha Nacional Fora Bolsonaro, fórum de partidos, movimentos sociais e centrais sindicais que realizou desde maio quatro mobilizações nacionais pela saída de Bolsonaro. A do dia 7, que está marcada desde 30 de julho, será a próxima.

O entendimento da Polícia Militar -baseado em decisão judicial de 2020 que proíbe grupos antagônicos de irem à avenida no mesmo dia e prevê alternância entre os lados-- foi o de que a vez é dos bolsonaristas. Os oposicionistas discordam. Doria referendou a posição da PM e indicou que não recuará.

O governador também tem vocalizado alertas para o risco de violência. O ato bolsonarista na capital paulista terá a presença do próprio Bolsonaro e de aliados. Com o fantasma da politização das forças de segurança locais, o receio é que a ocasião seja usada para tentativa de ruptura institucional.

A orientação até esta terça-feira (24) no núcleo da Campanha Fora Bolsonaro, que reúne ativistas ligados a partidos como PT e PSOL, era a de manter a pressão política sobre Doria, colocando em xeque a decisão de conceder a Paulista a um protesto que deve incluir pautas autoritárias e golpistas.

O grupo pediu audiência com o tucano e escalou interlocutores como o deputado federal Orlando Silva (PC do B-SP) e a deputada estadual Professora Bebel (PT-SP) para ajudar na busca de diálogo com o governo do PSDB.

Silva diz que ouviu diretamente de Wilson Pedroso, secretário particular e braço direito de Doria, a afirmação de que a decisão do governo está tomada e é sustentada pelas questões de segurança, em linha com a determinação da Justiça. "Pelo que captei, é irrevogável", afirma o deputado.

"Compreendo que, simbolicamente, seja importante ocupar a Paulista, mas entendo também que o nosso pessoal pode se transferir para outro lugar", diz o político do PC do B.

Ao mesmo tempo, a campanha entrou com representação no Ministério Público de São Paulo questionando a aplicação que a PM, responsável por acompanhar manifestações na via, fez da decisão judicial do ano passado que busca evitar conflitos entre grupos opostos na Paulista.

A Promotoria de Justiça de Habitação e Urbanismo da Capital encaminhou o caso ao Tribunal de Justiça e requereu a intimação da Prefeitura de São Paulo e do governo estadual para que se manifestem sobre o pedido dos descontentes. As duas administrações ainda não se posicionaram nos autos.

Para os promotores, a gestão Ricardo Nunes (MDB) deve se pronunciar sobre o impasse por ser dela a responsabilidade de "autorizar ou não o uso do espaço público em determinada ocasião". A prefeitura disse em nota à imprensa que "não foi intimada e, quando o for, prestará as informações cabíveis".

Na segunda-feira (23), em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, Doria reiterou a informação publicada pelo jornal Folha de S.Paulo no fim de semana, de que o governo definiu que a Paulista será liberada para os bolsonaristas no dia 7 e que a oposição poderá utilizar a via no sábado seguinte (12).

Para esse dia está marcada uma manifestação contra o presidente, capitaneada pelos movimentos MBL (Movimento Brasil Livre) e VPR (Vem Pra Rua) e por líderes de partidos como Novo e PSL. A iniciativa, ligada a setores da direita, também expressará apoio a uma terceira via para as eleições de 2022.

A fala de Doria irritou membros da Campanha Fora Bolsonaro, formada por organizações majoritariamente de esquerda. A avaliação é que o tucano desconsiderou a mobilização da oposição já agendada para o dia 7 e tumultuou o debate ao falar do dia 12, que não está em disputa.

Em edições recentes, os atos pelo "fora, Bolsonaro" também passaram a contar com a adesão de forças mais ao centro do espectro político, como o diretório paulistano do PSDB e o movimento Acredito.

O Palácio dos Bandeirantes e a Secretaria de Segurança Pública emitiram comunicados nos últimos dias reforçando que obedecerão à decisão judicial que prevê o rodízio na Paulista.

A gestão do PSDB também endossa a avaliação da PM de que, pelo esquema de revezamento em caso de duplicidade de pedidos, a vez é da chamada situação, ou seja, dos que apoiam o governo federal.

A edição de 7 de Setembro dos atos com a bandeira "fora, Bolsonaro" é organizada em parceria com o Grito dos Excluídos, tradicional levante promovido no feriado da Independência por alas da Igreja Católica. O acordado é que as mobilizações sejam conjuntas em todas as cidades.

No caso de São Paulo, há também uma coincidência do comando das duas manifestações, já que Raimundo Bonfim, coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares) e um dos líderes das marchas realizadas desde maio, é também um dos articuladores do Grito dos Excluídos.

Além de Bonfim, os coordenadores do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), Josué Rocha, e do Acredito, Marco Martins, encabeçam a articulação para buscar convencer Doria da tese de que a oposição é que tem o direito de usar a Paulista no dia 7.

O impasse sobre o local da passeata contra Bolsonaro se repetiu em Brasília, onde também haverá movimentação de simpatizantes do presidente por causas como defesa do voto impresso (proposta já derrubada pelo Congresso) e ataques ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A oposição chegou a cogitar a migração da Esplanada dos Ministérios, onde devem se concentrar as hostes bolsonaristas, para uma cidade-satélite no Distrito Federal. Por ora, vale a decisão de fazer o protesto no Museu da República, à tarde, quando o ato rival já estiver desmobilizado.

A sobreposição de atos pró e anti-Bolsonaro no 7 de Setembro deverá ocorrer em outros municípios, principalmente capitais. A campanha ainda não divulgou balanço parcial das atividades previstas, mas, na convocação anterior, em 24 de julho, disse ter contabilizado 509 atos no Brasil e no exterior.

O cenário exige atenção redobrada das autoridades de segurança, já que aumenta a chance de pessoas com bandeiras opostas se encontrarem em deslocamentos pela cidade, no transporte público e em praças utilizadas como ponto de encontro.

Um agravante, no caso de agora, está no fato de que bolsonaristas têm insuflado a confrontação, com mensagens de incentivo ao uso de força, ou pelo menos à demonstração dela. Doria alertou outros governadores sobre a possibilidade de apoiadores do governo saírem às ruas armados.

Líderes da manifestação contrária a Bolsonaro, apesar de monitorarem o quadro, por enquanto minimizam o potencial de atritos. "Não podemos cair em provocações de bolsonaristas nem nessa tentativa de conflito que eles desejam. Faremos nosso ato com a mesma altivez", diz o deputado Orlando Silva.

Para Bonfim, da CMP, a expectativa de clima conflagrado tampouco deve inibir manifestantes contrários ao governo, que poderiam ficar amedrontados. "Não vão ficar com medo de irem à rua. O 7 de Setembro é um dia tradicional dos nossos protestos, principalmente o Grito dos Excluídos", diz.

A campanha quer esperar alguma decisão favorável a seu pleito, pela via judicial ou por iniciativa de Doria, mas alguns pontos alternativos para a concentração em São Paulo já são citados nos bastidores, como o largo da Batata, em Pinheiros (zona oeste), e as praças da República e da Sé (região central).

Para o empresário Mauro Reinaldo, fundador do movimento União pelo Brasil e um dos que estão convocando para o ato pró-Bolsonaro, não faz sentido a discussão sobre a posse da Paulista no 7 de Setembro, já que seria inviável desmarcar a manifestação governista ou trocá-la de local.

"Serão milhões [de pessoas] pró-governo nesse dia", diz ele, lembrando que a decisão da PM para a data é favorável a seu grupo e que "o chefe da nação já confirmou sua presença". Segundo mobilizadores, ônibus com bolsonaristas sairão de cidades paulistas e de outros estados rumo à avenida na capital.

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