Oposição na Venezuela ocupa avenidas em protesto contra Maduro

Manifestante da oposição segura cartaz que diz "Fora Maduro", durante protesto em Caracas 24/04/ 2017. REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

CARACAS (Reuters) - A oposição venezuelana se preparava nesta segunda-feira para ocupar as principais avenidas do país, em um novo protesto contra o governo do presidente Nicolás Maduro, na mais recente de uma série de manifestações que deixou ao menos dez mortos.

A coalizão opositora Mesa de La Unidad (MUD) convocou seus partidários para se concentrar nas principais avenidas de cada região, em todos os 24 Estados do país. O protesto acontecerá durante todo o dia.

"Os protestos pacíficos continuarão por todo país até que Maduro respeite a Constituição e acabe com seu autogolpe! RESPOSTA!", escreveu o líder da oposição e ex-candidato presidencial Henrique Capriles.

Testemunhas da Reuters informaram que os manifestantes já começaram a bloquear parcialmente o tráfego em algumas importantes vias de Caracas. Em outros pontos da capital, alguns grupos formaram barricadas para impedir o trânsito.

A atmosfera política se aqueceu no final de março quando o Poder Judicial tomou as prerrogativas do Parlamento dominado pela oposição, gerando protestos locais e chamados internacionais para respeitar a democracia.

A oposição tem insistido que continuará nas ruas até que sejam repostas todas as funções da Assembleia Nacional, que se convoquem eleições gerais, que se abra um canal humanitário que reduza a grave escassez de medicamentos e que se liberem centenas de presos políticos.

Maduro acusa os manifestantes de tentar derrubá-lo com a ajuda do governo dos Estados Unidos. Do outro lado, os líderes da oposição dizem que o governo está usando táticas repressivas e levando o país a uma ditadura.

Mais de 1,400 pessoas foram detidas esse mês, segundo o grupo local de direitos humanos Foro Penal, enquanto ao menos 10 pessoas morreram durante protestos e outras 11 pessoas foram mortas em saques e distúrbios.

(Reportagem de Deisy Buitrago)

((Tradução Redação Rio de Janeiro; 55 21 22237141)) REUTERS MCP RBS