Oposição nomeia dirigentes no 'exílio' para seu Parlamento simbólico na Venezuela

A dividida oposição venezuelana nomeou, nesta quinta-feira (5), uma nova direção para o Parlamento simbólico eleito em 2015, que controlava e cuja continuidade defende, formada por três deputadas que vivem no exterior.

O ato, realizado por videoconferência, pôs fim formalmente ao chamado "governo interino" do líder opositor Juan Guaidó que, ao mesmo tempo, presidia esta Assembleia Nacional com apoio dos Estados Unidos.

O Parlamento eleito em 2015, cujo mandato se encerrou em 2021, mas cujos membros defendem sua continuidade, ao denunciarem como "fraude" a vitória do chavismo (situação) nas legislativas de 2020, será presidido agora por Dinorah Figuera, que mora na Espanha. Ela será acompanhada na direção do Parlamento por Marianela Fernández, residente nos Estados Unidos, e Auristela Vásquez, que também mora na Espanha.

"Juro pela unidade, pela democracia e pela liberdade", disse Figuera, ao ser empossada durante a sessão virtual desta quinta-feira.

Em 30 de dezembro, três dos principais partidos da oposição aprovaram neste fórum a eliminação do "governo interino", que tinham apoiado quando esta figura foi criada.

Guaidó, que se autoproclamou presidente encarregado em uma praça pública em 5 de janeiro de 2019, com o reconhecimento dos Estados Unidos e meia centena de países, ficou com o controle dos ativos venezuelanos bloqueados no exterior devido a sanções contra o governo do presidente socialista Nicolás Maduro. No entanto, ele nunca pôde assumir realmente o poder, apesar do amplo apoio internacional recebido, mas que caiu com o passar do tempo.

Guaidó e os aliados que mantinha na defesa do "interinato" afirmam que acabar com esta figura é "um erro inconstitucional", que cria um "vácuo", mas seus detratores sustentam que seu tempo passou, sem que alcançasse o objetivo de desbancar Maduro, a quem a oposição acusa de ter sido reeleito de forma fraudulenta em 2018.

"Este vácuo não pode ser preenchido pela ditadura", disse Guaidó em sua fala nesta quinta-feira. "Não podemos gerar um auto-vácuo de poder neste momento".

O fim do "interinato" ocorre em meio a fortes confrontos internos da oposição, que pretende celebrar este ano primárias para escolher um candidato único para as próximas eleições presidenciais, previstas para 2024.

Delegados de Maduro e a oposição negociam condições eleitorais em uma mesa de diálogo retomada no México no ano passado.

A Assembleia Nacional, controlada pelo chavismo desde 2021, ratificou no cargo de presidente Jorge Rodríguez, em uma sessão no Palácio Federal Legislativo.

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