Oposição pede eleições após renúncia de premier da Geórgia

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Apoiadores da oposição na Geórgia agitam bandeiras do país reagindo ao anúncio da renúncia do premier Giorgi Gakharia na frente da sede do Movimento Nacional Unificado (MNU) em Tbilisi, 18 de fevereiro de 2021

A oposição da Geórgia pediu nesta quinta-feira (18) eleições legislativas antecipadas após a demissão do primeiro-ministro, Giorgi Gakharia, que deixará o poder em plena crise política, em protesto contra a tentativa de prisão de um líder opositor.

A saída do chefe de governo de 45 anos é o capítulo mais recente da crise que sacode o país do Cáucaso desde as legislativas de outubro que, segundo a oposição, foram fraudulentas, razão pela qual desde então bloqueia o Parlamento.

"Tomei a decisão de deixar meu cargo", disse Gakharia ao anunciar uma saída inesperada, motivada pela decisão, na véspera, de um tribunal de determinar a prisão preventiva de Nika Melia, líder do Movimento Nacional Unificado (MNU), partido do ex-presidente no exílio Mikheil Saakashvili.

"É inadmissível implementar uma decisão judicial (...) se esta apresenta um risco para a saúde e a vida dos nossos cidadãos e cria a possibilidade de uma escalada política no país", disse.

Melia é acusado de organizar "violência de massa" nas manifestações que sacudiram durante cerca de uma semana ao país em 2019, pelo que poderia ser condenado a nove anos de prisão.

Seus partidários denunciam uma perseguição política e alertam que se oporão a qualquer tentativa da polícia de detê-lo.

O partido no poder, Sonho Georgiano, anunciou por sua vez a nomeação do ministro da Defesa e ex-primeiro-ministro Irakli Garibashvili, de 38 anos, para suceder Gakharia.

Melia tachou a nomeação de "cômica" e assegurou que esta decisão suporá que "o Sonho Georgiano acabou e que as eleições antecipadas são iminentes".

"O poder vai mudar na Geórgia de forma pacífica e muito em breve", assegurou.

A oposição reivindica eleições antecipadas desde as polêmicas eleições de outubro, vencidas pelo Sonho Georgiano com uma margem apertada, partido fundado pelo ex-premier Bidzina Ivanishvili, o homem mais rico do país, suspeito de mexer os pauzinhos do poder.

Gakharia era ministro do Interior quando estouraram os protestos e ordenou a repressão aos manifestantes, entre os quais houve vários feridos. Em setembro de 2019, foi nomeado primeiro-ministro.

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