Oposição peruana nega planejar um golpe de Estado

O grupo de alto escalão da Organização dos Estados Americanos (OEA), encarregado de analisar a crise política do Peru, recebeu nesta terça-feira (22) líderes opositores que negaram estar planejando um golpe de Estado contra o presidente esquerdista Pedro Castillo, como alega o mandatário.

"O principal é que não há golpe no país, nem aberto nem velado", disse à imprensa Patricia Juárez, deputada do partido de direita Força Popular, ao resumir a mensagem transmitida ao grupo.

"O que pedimos é absoluta imparcialidade nos resultados do relatório e acreditamos que este é o compromisso dos chanceleres", completou a porta-voz do partido de Keiko Fujimori, filho do ex-presidente Alberto Fujimori (1990-2000).

"Expusemos que consideramos injusto e arbitrário que o presidente nos acuse de sermos golpistas, estamos abertos ao diálogo", declarou o porta-voz de Aliança para o Progresso (APP), Alejandro Soto.

A missão de dois dias chegou ao Peru na segunda-feira depois que Castillo, que está sendo investigado por corrupção, denunciou um suposto golpe parlamentar em andamento, para o qual invocou a aplicação da Carta Democrática Interamericana como uma defesa contra o suposto ataque.

O grupo é formado pelos chanceleres do Equador, Juan Carlos Holguín; da Guatemala, Mario Adolfo Búcaro; do Paraguai, Julio César Arriola; da Costa Rica, Arnaldo André; e de Belize, Eamon Courtenay. Também conta com a vice-ministra de Assuntos Multilaterais da Colômbia, Laura Gil, o vice-ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Tettamanti, e o paraguaio Eladio Loizaga, representante da Secretaria-Geral da OEA.

A missão também recebeu representantes da Defensoria do Povo, da Igreja Católica e de organizações eleitorais.

Também foram ouvidos órgãos de imprensa que representam os donos dos meios de comunicação e associações sindicais de jornalistas.

O grupo diplomático se reuniu com o presidente Castillo, chefe do Parlamento, do Judiciário e do Ministério Público na segunda-feira.

A missão foi aprovada em outubro pelo Conselho Permanente da OEA e enviada a pedido de Castillo. Seu objetivo é preparar um relatório com a maior brevidade possível, que será encaminhado ao Conselho Permanente, que determinará os passos a seguir.

Castillo, no poder desde julho de 2021, já enfrentou duas tentativas de impeachment no Congresso e é alvo de seis investigações fiscais por suposta corrupção, das quais também são acusados seus familiares mais próximos e círculo político.

O presidente peruano se considera vítima de uma campanha para tirá-lo do poder e denuncia um "golpe de Estado". Ele alega que não pode ser investigado até o final do mandato, em julho de 2026.

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