Oposição síria rejeita qualquer papel do presidente Assad

Foto cedida pela agência de notícias oficial síria (Sana) em 7 de fevereiro de 2017 mostra o presidente sírio, Bashar al-Assad, em Damasco

A oposição síria ao regime de Damasco informou nesta quinta-feira que rejeita qualquer papel atual ou futuro de Bashar al Assad depois que a nova administração americana anunciou que a saída do poder do presidente sírio "não é mais uma prioridade" para encerrar o conflito.

"A oposição não aceitará nunca que Bashar al Assad tenha um papel em algum momento (...), nossa posição não vai mudar", declarou a meios de comunicação Monzer Makhos, um dos porta-vozes do Alto Comitê de Negociações (HCN), que reúne os grupos-chave da oposição síria.

Monzer falou de um hotel de Genebra, onde há uma semana se celebra a quinta série de negociações intersírias, sob os auspícios da ONU.

Desde o início do conflito na Síria, em março de 2011, os Estados Unidos sempre apoiaram grupos da oposição que lutam contra o regime do presidente Bashar al Assad e pedem sua saída do poder, mas na quinta-feira, o secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou na Turquia que o destino do presidente sírio seria decidido pelos sírios.

Poucas horas depois, a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley, acrescentou que Washington não considera mais uma prioridade a destituição de Assad.

Em Genebra, outra porta-voz do HCN, Farah Atassi, disse a jornalistas que a oposição síria desejava que os Estados Unidos tiveram um papel maior e mais decisivo no conflito.

Ele destacou que Washington tem um papel a desempenhar para "limitar a influência iraniana" e para fazer frente "aos russos que cometeram um roubo à mão armada da questão síria".

"Nós somos um parceiro confiável para a administração americana (...) para combater o grupo Estado Islâmico", acrescentou.

Há uma semana voltaram a começar as negociações intersírias para deter o banho de sangue no país, que já matou 320 mil pessoas, mas o cisma entre o regime e a oposição continua imenso.