Oposição se divide em Pernambuco para 2022

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*** FOTO DE ARQUIVO *** RECIFE, PE, 14.01.2019 - Especial para a Folha de São Paulo - Entrevista com o Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

(Foto: Dayvison Nunes/Folhapress)
*** FOTO DE ARQUIVO *** RECIFE, PE, 14.01.2019 - Especial para a Folha de São Paulo - Entrevista com o Governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB). (Foto: Dayvison Nunes/Folhapress)

RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - Propagado no início de 2021 como estratégia para enfrentar quatro mandatos sucessivos do PSB no comando do estado, o discurso de unidade das oposições em Pernambuco chega aos últimos meses do ano pré-eleitoral em xeque.

A largada na disputa ao Governo de Pernambuco, para suceder Paulo Câmara (PSB), foi feita em setembro pelo prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (DEM), filho do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB).

No mês passado, ele foi lançado pré-candidato pelo DEM, dias antes do anúncio da fusão com o PSL, em um evento no Recife com a presença de líderes políticos locais e nacionais, como o ex-prefeito de Salvador ACM Neto.

O movimento de Miguel gerou insatisfações no campo oposicionista e levou os outros dois pré-candidatos de oposição no estado a se unirem e começarem agendas similares à do prefeito de Petrolina em andanças pelas cidades com prefeitos, ex-prefeitos e vereadores.

Prefeitos de Caruaru e de Jaboatão dos Guararapes, respectivamente, Raquel Lyra (PSDB) e Anderson Ferreira (PL) anunciaram, ao lado de líderes de Cidadania e PSC, que os quatro partidos estariam juntos na construção de um palanque, numa tentativa de isolar Miguel, que tem apoio da futura União Brasil e do Podemos.

Inicialmente, o entorno de Lyra queria construir um palanque para se contrapor ao PSB que também se desvinculasse do presidente Bolsonaro. Aliados dela alegam que, como filho do líder do governo, Miguel estaria com menores chances de êxito em 2022.

Além disso, os oposicionistas dizem que o senador Fernando Bezerra estaria impondo a candidatura de Miguel sem uma construção coletiva.

No meio local, sabe-se que o sonho do senador era ser governador. Como as pretensões ficaram difíceis e inviabilizadas em outros pleitos, a aposta dele é no filho desta vez.

A entrada de Miguel no DEM também gerou insatisfações. A deputada estadual Priscila Krause comunicou ao ex-ministro Mendonça Filho, presidente da legenda no estado, a saída do partido após mais de 26 anos militando na sigla.

No discurso oficial, Priscila disse que a causa para a desfiliação foi a fusão com o PSL. Mas ela tem maior simpatia pela candidatura de Lyra ao Palácio do Campo das Princesas do que por Miguel e é cotada para vice da tucana.

Lyra, por sua vez, tenta marcar posição de distância do bolsonarismo e tem entre seus principais aliados o deputado federal Daniel Coelho (Cidadania) e o ex-senador Armando Monteiro Neto (PSDB), críticos do presidente.

Uma terceira candidatura poderá ser a do ministro do Turismo, Gilson Machado Neto. A postulação é desejo dos apoiadores de Bolsonaro no estado, mas ele tem sinalizado preferência pelo Senado e já chegou a lançar sua pré-candidatura ao Legislativo.

O partido da futura filiação de Gilson segue indefinido. Caso vá para o PTB, terá legenda assegurada, pois a sigla em Pernambuco já disse que fará o que Bolsonaro quiser.

Caso Bolsonaro se filie ao PL de Valdemar Costa Neto, Gilson terá que dialogar e negociar a candidatura com Anderson Ferreira, que preside a sigla no estado e está entre disputar o governo ou o Senado.

Ferreira é próximo de Bolsonaro desde quando eram colegas na Câmara dos Deputados. Estará em jogo a cadeira do atual senador Fernando Bezerra, que não deverá tentar a reeleição. O prefeito de Jaboatão dos Guararapes tem como base eleitoral os evangélicos, um dos núcleos de apoio de Bolsonaro.

Enquanto isso, o grupo de Miguel acredita que, se Bolsonaro firmar vínculo com o PL, isso pode rearrumar o tabuleiro de forças nas oposições e deixar Raquel isolada, aproximando a legenda ao seu grupo.

O entorno de Miguel não crê que o partido de Bolsonaro, independentemente de qual seja, possa estar no mesmo palanque do PSDB, que deverá ter candidato próprio a presidente. Interlocutores de Miguel também acham que a candidatura de Raquel só se efetivará se Eduardo Leite vencer as prévias tucanas contra João Doria.

Lyra, que também é presidente do PSDB estadual, já declarou apoio a Leite no pleito interno contra o paulista e o ex-prefeito de Manaus Arthur Virgílio Neto.

Divisões na oposição em eleições locais não são novidade em Pernambuco. Em 2020, na disputa pela Prefeitura do Recife, os grupos viram PSB e PT avançarem para o segundo turno.

Na ocasião, os candidatos do DEM, Mendonça Filho, e do Podemos, Delegada Patrícia Domingos, tiveram mais votos somados do que a segunda colocada, Marília Arraes. Mas, divididos, viram a postulante do PT avançar à etapa final da eleição e enfrentar João Campos.

Em todas as eleições para governador desde 2010, a oposição teve dificuldades em conseguir unidade efetiva em Pernambuco e perdeu no primeiro turno, tanto na reeleição de Eduardo Campos como nas duas vitórias do atual governador, Paulo Câmara. Mesmo nas ocasiões com palanques únicos na oposição, houve casos de divisões nos partidos.

No PSB, por sua vez, o nome apontado para a disputa é o do ex-prefeito do Recife Geraldo Julio. Apesar de ele ter negado a intenção, parlamentares da sigla na Assembleia Legislativa afirmam reservadamente que se trata de uma estratégia para evitar ser alvo de críticas da oposição e que não há plano B na sigla.

Em 2022, o PSB deverá ter apoio do PT na disputa pelo governo. Em troca, os socialistas devem dar apoio a Lula na disputa presidencial.

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