Oposição venezuelana dá pequeno e tardio passo rumo à unidade

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(Arquivo) O opositor venezuelano Carlos Ocariz (AFP/Pedro Rances Mattey)

Um dos candidatos da oposição em um estado-chave da Venezuela abriu mão de suas aspirações nesta quinta-feira em favor de uma unidade que, por meses, pareceu impossível, e que, segundo especialistas, chega tarde.

A Venezuela realiza eleições para prefeito e governador no próximo dia 21, processo do qual os principais partidos de oposição decidiram participar, após três anos de boicote eleitoral e apelos à abstenção. Mas eles não conseguiram formar candidaturas unitárias na maioria dos estados, ao contrário de anos anteriores.

Carlos Ocariz renunciou à sua candidatura no estado de Miranda, que cobre parte de Caracas, sem mencionar diretamente um apoio a David Uzcátegui, o outro candidato da oposição, com quem travou uma disputa dura por meses. "Vocês me colocaram em primeiro nas pesquisas. Hoje cabe a mim colocá-los em primeiro", declarou em Caracas.

“Quero informar que, em coerência com a minha luta, decidi dar um passo à frente e colocar na ordem da Unidade minha aspiração, para que possamos dar aos mirandinos a oportunidade de resgatar seu futuro”.

A decisão de Ocariz pode motivar “outros pequenos acordos que consigam impulsionar os potenciais triunfos da plataforma unitária” da oposição, estimou Oswaldo Ramírez, da ORC Consultores. “Muitos desejavam que esses acordos tivessem acontecido há mais tempo", disse à AFP. “Pode ser tarde... é uma tarefa titânica educar o eleitor para atraí-lo ao voto" do candidato que permanecer de pé.

- 'Real e falsa' -

Anúncios de acordos eram esperados em outros estados sem unidade, como Táchira, governado por uma dissidente da Mesa da Unidade Democrática (MUD), que reúne os principais partidos de oposição.

"Não haverá nenhum acordo entre a oposição real e a falsa", afirmou à AFP Fernando Andrade, candidato pela MUD em Táchira. “A oposição em Táchira tem uma candidatura única ao governo, e o governismo tem um candidato. E existe a candidata da colaboração, que traiu a oposição e faz o jogo do regime de Maduro."

A oposição já conseguiu antes candidaturas unitárias, como em 2012 e 2013, com Henrique Capriles, que enfrentou Hugo Chávez e Nicolás Maduro nas eleições presidenciais, e depois em 2015, quando arrasou nas legislativas e pôs fim a 15 anos de hegemonia chavista no Parlamento.

Este ano, no entanto, a oposição está dividida até mesmo sobre sua participação nas eleições. O líder opositor Juan Guaidó, reconhecido como presidente encarregado por meia centena de países, considera que não há condições de participar, embora, ao contrário de anos anteriores, não tenha feito um chamado pela abstenção.

Um estudo da ORC estima que 9 milhões de venezuelanos (44% do eleitorado) participarão dessas eleições, que serão acompanhadas por uma missão de observação da União Europeia e por especialistas da ONU e do Centro Carter.

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