Oposição critica Bolsonaro por fala sobre vacina: “Cadeia é pouco”

Ana Paula Ramos
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Brazilian President Jair Bolsonaro gestures during the ceremony celebrating 100 million digital savings accounts in the state bank Caixa Economica at Planalto Palace in Brasilia, on November 4, 2020. (Photo by EVARISTO SA / AFP) (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Presidente Jair Bolsonaro (Photo by EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Nas redes sociais, políticos de oposição criticaram a mensagem do presidente Jair Bolsonaro comemorando que “ganhou” do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), com a suspensão dos testes da Coronavac pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária).

A vacina é desenvolvida no Brasil pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

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A Anvisa suspendeu na segunda-feira (9) os testes clínicos do imunizante após um “evento adverso grave” registrado no dia 29 de outubro.

Na opinião de Ciro Gomes (PDT), candidato à Presidência em 2018, “cadeia é muito pouco para canalhas que fazem politicagem com vacina”.

Segundo o governador do Maranhão, Flávio Dino, Bolsonaro “continua a ser o maior aliado do coronavírus” no Brasil.

O deputado Alessandro Molon (PSB-RJ), líder da Oposição na Câmara, também criticou a atitude do presidente. “Para Bolsonaro, tudo não passa de uma disputa com seus desafetos para ver quem ganha”.

O PSDB emitiu nota dizendo que “a atitude do presidente é mais uma prova de que coloca suas pretensões políticas acima de todos e realmente não se importa com a vida dos brasileiros”.

As reações ocorrem após interação de Bolsonaro nas redes sociais em um post sobre ações de seu governo no combate à covid-19. O presidente respondeu a um usuário citando três dos efeitos listados hipoteticamente pela Anvisa e lembrou de suas desavenças com Doria, sobre a obrigatoriedade ou não dos imunizastes.

"Morte, invalidez, anomalia. Esta é a vacina que o Dória queria obrigar a todos os paulistanos tomá-la. O Presidente disse que a vacina jamais poderia ser obrigatória. Mais uma que Jair Bolsonaro ganha", escreveu.

No entanto, a Anvisa não especificou qual foi o “evento adverso grave” que motivou a paralisação dos estudos.

Outros testes de vacinas contra o coronavírus, como a desenvolvida em parceria entre a Universidade de Oxford e o laboratório sueco Astrozeneca, também já passaram por interrupções por eventos similares e foram retomados.

O secretário de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, criticou a forma como a Anvisa tomou a atitude e reiterou nesta terça-feira (10) a segurança da vacina desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Butantan.

"Esta vacina é segura. Estamos a favor da vida, da verdade e da transparência", disse Jean Gorinchteyn. Ele ainda afirmou que não houve diálogo entre Anvisa e governo estadual para avaliar a “reação adversa grave” alegada pelo órgão. “Sequer tivéssemos tido a possibilidade de fazer uma análise conjunta e clara sobre os fatos.”

Nos bastidores, a preocupação é que a suspensão da Coronavac seja parte de uma “guerra política” entre o governador de São Paulo e o presidente. A Anvisa é comandada pelo Almirante Barra, aliado de Bolsonaro, que estaria disposto a colocar as ordens do presidente à frente das questões técnicas.